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quarta-feira, 2 de março de 2011

Noruega - Não há epidemia de autismo


De acordo com a investigadora Maj-Britt Posserud, grande parte do aumento no número de crianças diagnosticadas com autismo é o resultado de novos Métodos de Investigação e aplicação de um conjunto mais amplo de critérios de diagnóstico. Estes alargaram o leque de pessoas diagnosticadas com a perturbação.

Financiado pelo Programa do Conselho de Investigação sobre Saúde Mental (Psykisk), um sub-estudo das perturbações do espectro autista (PEA), chefiada pela deputada Posserud foi realizado como parte do projecto "Barn i Bergen" (Crianças em Bergen). O estudo mostra o que o diagnóstico de PEA seja aplicável a cerca de 1 % da população.

Um estudo realizado em 1998 tinha concluído que cerca de 0,05 % das crianças Norueguesas tinham autismo. Os números do projecto “Barn i Bergen” podiam ser interpretados como significando um aumento da incidência do autismo. No entanto Posserud penso que é preciso minimizar esta diferença de resultados

Artigo AQUI

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Electroencefalograma, marcador para risco de autismo


A única forma de determinar se uma criança é autista é feita através da utilizaçao de testes comportamentais e de observação, o que causa muitas vezes desconforto e confusão nos pais.

No entanto, a combinação de um electroencefalograma (EEG) com a matemática aplicada do campo da teoria do caos, pode permitir uma identificação do autismo com 80% de precisão.

Bosl e o seu colega Charles A. Nelson, director de pesquisa do Centro de Medicina do Desenvolvimento Infantil, registaram sinais de EEG de repouso de 79 bebés entre os 6 e 24 meses de idade, participando num estudo maior que visa encontrar marcadores de risco muito precoce do autismo. Quarenta e seis crianças tinham um irmão mais velho com um diagnóstico confirmado de uma perturbação do espectro autista (PEA), os outros 33 não tinham história familiar de PEA. Como os bebés a verem um assistente de pesquisa a soprar bolhas, as gravações foram feitas através de um capacete colocado na cabeça com 64 eléctrodos. Os testes foram repetidos, na medida do possível, aos 6, 9, 12, 18 e 24 meses de idade.

Nelson explica mais: "Vários neurocientistas acreditam que o autismo reflete uma" síndrome da desconexão", pelo qual as populações de neurônios distribuídos deixam de comunicar eficientemente uns com os outros. O artigo actual é compatível com esta hipótese, sugerindo que os cérebros dos recém-nascidos de alto risco para desenvolver o autismo apresentam padrões diferentes de ligação neuronal. "

Embora o teste de EEG para risco de autismo possa parecer impraticável para implementar em larga escala, é barato, seguro, não requer sedação (ao contrário do RM), leva apenas alguns minutos para executar e pode ser feito em um consultório médico.

Este trabalho ainda requer validação e refinamento.

Trabalho provisório AQUI

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Hormonas Sexuais no Autismo


A investigadora da Universidade George Washington, Dra. Valerie Hu, professor de Bioquímica e Biologia Molecular, e a sua equipa da Escola de Medicina e Ciências da Saúde, descobriram que as hormonas sexuais masculinas e femininas regulam a expressão de um gene importante na cultura de células neuronais através de um mecanismo que poderia explicar os níveis, não só mais elevados de testosterona observada em alguns indivíduos com autismo, mas também porque os homens têm uma maior incidência de autismo do que as mulheres.

"Sabe-se que homens têm uma maior tendência para o autismo do que as fêmeas, no entanto, esta nova pesquisa pode, pela primeira vez, fornecer uma explicação molecular para o porquê e como isso acontece. Esta é apenas a ponta do iceberg em termos de compreensão de alguma subjacente biologia do autismo, e vamos continuar o nosso trabalho para descobrir novas maneiras de entender e, esperemos, um dia combater esta desordem do desenvolvimento neurológico ", disse Hu

Notícia em George Washington University onde pode ver a entrevista com a Dra valerie Hu.

Artigo científico AQUI.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Vermes contra o autismo



Por Allyson Muotri em Globo Notícias

Casos como o de um pai de uma família americana em Nova York, que luta pra encontrar um caminho que possa atenuar os efeitos do espectro autista em seu filho, são cada vez mais comuns. O filho, Lawrence, com 13 anos, foi diagnosticado com dois anos de idade e em pouco tempo já não se entrosava socialmente, exibia um comportamento repetitivo. Com os anos, sua personalidade foi ficando cada vez mais agressiva: batia a própria cabeça na parede, mordia os colegas e demonstrava muita ansiedade e agitação. Difícil pra família, pior para Lawrence.


O pai, Stewart, tentou diversos tratamentos. Começou buscando terapia do comportamento, modificações na dieta, terapia musical e, por fim, diversas combinações de medicamentos. Na maioria das vezes, a melhora era temporária e o tratamento deixava de fazer efeito após um curto período de tempo.
Como muitos pais, Stewart procurou por alternativas fora da medicina convencional.

No entanto, ao invés de seguir métodos sem uma base racional, ele começou a pesquisar em sites como o PubMed por literatura especializada, que traria informações e pesquisas cientificas sobre os tipos de sintomas apresentados pelo seu filho.

Numa dessas buscas, deparou-se com o trabalho de um grupo de pesquisadores que conseguiu tratar pacientes com a doença de Crohn, usando vermes de porcos conhecidos como Trichuris suis. Como outras doenças autoimunes, o sistema imunológico do próprio paciente ataca as paredes intestinais, levando à formação de úlceras e a desconforto.

Nesse caso, os parasitas do porco estariam modulando a resposta imunológica, diminuindo a inflamação (Summers e colegas, Gut, 2005). Stewart também encontrou evidências de que alguns dos sintomas presentes no autismo podem ser frutos de um ataque imunológico em células da glia no cérebro (Vargas e colegas, Annal Neurol 2005).

Para ele não foi difícil juntar os pontos: os vermes do porco poderiam também ajudar na modulação imunológica de seu filho. Sem medo do ridículo, escreveu uma pequena revisão e apresentou suas ideias a um grupo que pesquisava autismo no Albert Einstein College of Medicine. Os pesquisadores acharam inusitado, mas concluíram que valia a pena testar a hipótese. Através desse grupo, Stewart consegui comprar ovas de T. suis para tratamento de uma empresa europeia chamada OvaMed.
Stewart também conseguiu permissão do FDA americano para testar a droga em seu filho, sob supervisão dos pesquisadores e médicos. Cada frasco carrega 2.500 ovas e é, em geral, consumido a cada duas semanas, com um custo de 600 euros por mês.

Depois de ingeridas, as ovas tentam se alocar no intestino humano. Encontrando um ambiente hostil, a maioria morre. As ovas que sobrevivem dão origem a larvas que persistem no intestino por alguns dias. É nesse estágio que acontece a modulação do sistema imunológico.

Não se sabe ainda exatamente como isso acontece, as bases moleculares do fenômeno estão sendo pesquisadas. As larvas sobreviventes morrem logo em seguida e são dissolvidas no intestino – nada sai nas fezes.
Como o T. suis evoluiu para infectar porcos, a colonização no trato intestinal humano é limitada. Os vermes não conseguem se reproduzir e são eliminados com o tempo. Além disso, o ciclo de vida do verme requer um estágio fora do hospedeiro, sendo incapaz de infectar outros membros da família.

É um medicamento considerado seguro, sem nenhum efeito colateral. No caso de Lawrence, a melhora no comportamento começou depois de 8 semanas de tratamento. Depois da décima semana, os sintomas tinham desaparecido por completo. A narrativa dessa história pelo próprio Stewart pode ser encontrada aqui.

Os resultados promissores foram apresentados em 2007 ao FDA e deram inicio a um ensaio clínico mais completo – em andamento – que servirá para mostrar se o tratamento é realmente efetivo ou se foi apenas um caso de sorte, com alguma variável não controlada fazendo efeito na criança.

A saga desse pai e o sucesso da história traz uma perspectiva interessante para o entendimento do autismo, a “hipótese da higiene”. Segundo essa ideia, a industrialização e a falta de contato com elementos naturais acabam desestabilizando o sistema imunológico humano.

Evoluímos juntamente com nossos parasitas e assim que os eliminamos do nosso ambiente, a homeostase do nosso corpo tenta se estabilizar novamente. Durante a evolução, criamos diversas “armas imunológicas” contra esses parasitas que não estariam mais sendo utilizados no ambiente moderno.

A hipótese da coevolução é válida para a doença de Crohn, outras síndromes autoimunes como esclerose múltipla e provavelmente para alguns casos de autismo, como o de Lawrence. Ou seja, ao invés de existir “algo” no ambiente urbano que contribua para a incidência de autismo, seria mesmo a falta desse “algo”, no caso, nossos parasitas.

Acho que existe algo de muito importante nessa história. A investigação cientifica cautelosa desse e de outros casos semelhantes vai contribuir para entendermos melhor como o sistema imunológico interage com o sistema nervoso no estado normal e no estado autista.

Leia em Inglês o conteúdo da revista "The Scientist" sobre este assunto.

"Deficiências / Capacidades" - Manual para Parlamentares

No próximo dia 15 de Fevereiro, terça-feira, das 11h00 às 13h00, vai realizar-se no Auditório do Edifício Novo da Assembleia da República a cerimónia de lançamento do Manual elaborado pela ONU sob o título Deficiências/ capacidades, com o objectivo de apoiar os parlamentares nos seus esforços e iniciativas para implementar a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, assinada pelo Estado Português em 2007 e ratificada em 2009.


A cerimónia contará com intervenções da Directora do Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P., do Sr. Professor Catedrático Gomes Canotilho (com contributos relevantes, entre outros, no âmbito dos direitos fundamentais), e de deputados da 11ª Comissão de Trabalho, Segurança Social e Administração Pública. O encerramento da cerimónia será feito pela Secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Salvador Serrão.

A edição deste manual pelo Instituto Nacional para a Reabilitação, IP é mais um passo na concretização dos direitos das pessoas com deficiência, de que podem beneficiar todos os agentes públicos e privados, que de algum modo estejam envolvidos nesse processo, designadamente, as organizações não governamentais que representam as pessoas com deficiência e também os vários parceiros governamentais que no domínio das respectivas políticas precisam de ter em devida conta as especificidades das pessoas com deficiência.

A diretora do INR explicou à agência Lusa que o objetivo é apoiar os representantes parlamentares na sua função de legisladores, para que a "legislação que seja concebida e elaborada tenha em conta os direitos fundamentais das pessoas com deficiência".

"Muitas vezes a legislação e as medidas acabam por não ter em conta as características específicas e especiais das pessoas com deficiência e em vez de lhes facilitar a vida, acabam por criar mais obstáculos. A ideia é apoiar o exercício da atividade legislativa de modo a respeitarem os direitos dessas pessoas e a promovê-los", apontou Alexandra Pimenta.

A diretora do INR lembrou que a política de promoção dos direitos das pessoas com deficiência é "bastante recente no que diz respeito à evolução das democracias europeias e da portuguesa" e é reconhecido que muitas vezes os deficientes não participam mais na sociedade não pelas suas limitações, mas pelos obstáculos que existem nessa mesma sociedade.

"Mesmo em termos de elaboração de leis, o tipo de linguagem e de texto que é utilizado não é acessível, por exemplo, para uma pessoa que tenha deficiência intelectual. E como é bom que as pessoas conheçam e percebam bem as leis para as cumprirem e para se reverem nelas e bem as executarem, este é um aspeto para o qual o manual chama a atenção", exemplificou.

Alexandra Pimenta lembrou que quando se pensam medidas para estas pessoas, acaba-se por pensar para os cidadãos em geral porque todos, em alguma altura da vida, passam por uma situação em que experimentam algum tipo de limitação, seja pela idade ou por alguma circunstância específica.
"É sem dúvida uma chamada de atenção para que o serviço que nós fazemos, seja no âmbito legislativo, administrativo ou judicial, tem de ser muito próximo do cidadão e tem de ser feito para o cidadão", sublinhou.
Por outro lado, apontou, este manual vem ajudar todos os Estados-membros na implementação da Convenção das Nações Unidas sobre os direitos das pessoas com deficiência, que no caso português foi assinada em 2007 e ratificada em 2009.

Alexandra Pimenta apontou que este é um "instrumento de abordagem transversal da deficiência nas várias medidas de política pública" porque a pessoa deficiente realiza-se em todas as áreas da sociedade.

O documento fica a partir de hoje disponível a todos os deputados, mas não só, já que estará acessível AQUI.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A história de Carly



Com autismo severo, Carly ultrapassou o problema da comunicação com recurso a um programa de texto.

Aceda à página da Carly aqui.