Existem poucas evidências no que respeita à associação do autismo com a alimentação, no entanto têm sido desenvolvidos estudos que mostram que o apoio nutricional pode ser importante na melhoria da qualidade de vida dos indivíduos com esta patologia.
O autismo é um distúrbio invasivo em desenvolvimento com início geralmente antes dos 3 anos de idade e com uma base biológica geralmente relacionada a factores neurológicos ou neurofisiológicos. Caracterizado pela debilidade qualitativa na interacção social recíproca (falta de consciência da existência de sentimentos em outros, não procurar conforto em momentos de agonia, falta de imitação), comunicação verbal e não verbal, e capacidade para jogos simbólicos e por um repertório restrito e pouco comum de actividades e interesses.
Uma vez que esta patologia assenta essencialmente em factores comportamentais, sendo especificamente afectados a interação social, comunicação verbal e não verbal e comportamentos restritos ou repetitivos vão-se verificar prejuízos na alimentação. Estas dificuldades referem-se à ingestão de nutrientes por parte das crianças e também na aceitação dos alimentos estando por isso aumentada a hipersensibilidade e a dificuldade em fazer transições. Apesar da maioria das crianças apresentar crescimento normal, a sua recusa alimentar, essencialmente em frutas e vegetais, pode por vezes levar a alguns défices nutricionais, dados que também estão apoiados por estudos recentes.
Apesar de não existirem fundamentos científicos fortes que comprovem os benefícios de certos nutrientes, alguns estudos referem a importância dos ácidos gordos essenciais, altas doses de vitaminas e restrição de glúten e caseína da dieta na melhoria da qualidade de vida dos indivíduos com esta patologia.
Fontes:
- Kathleen, M.L.; Escott-Stump, S.; Krause: Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.
- Xia W, Zhou Y, Sun C, Wang J, Wu L. A preliminary study on nutritional status and intake in Chinese children with autism. Eur J Pediatr. 2010 Oct;169(10):1201-6. Epub 2010 Apr 27.
- Bandini LG, Anderson SE, Curtin C, Cermak S, Evans EW, Scampini R, Maslin M, Must A.Food selectivity in children with autism spectrum disorders and typically developing children. J Pediatr. 2010 Aug;157(2):259-64. Epub 2010 Apr 1.
Notícia - Associação Portuguesa de Nutricionistas
sexta-feira, 8 de abril de 2011
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Revisões da Investigação em Autismo
Três artigos de opinião publicados na edição de maio de 2011 da revista Pediatrics (publicada online a 4 abril) examinam as provas científicas por detrás das intervenções médicas, comportamentais e de desenvolvimento das Perturbações do Espectro do Autismo (ASD). Os estudos, financiados pela Agency for Healthcare Research and Quality (Agência de Investigação de Saúde e Qualidade), analisaram pesquisas publicadas entre 2000 e Maio de 2010, sobre intervenções nas PEA em crianças até aos 12 anos. Os investigadores descobriram fortes evidências de alguns tratamentos, mas também uma necessidade crítica de estudos adicionais para identificar abordagens específicas que são mais eficazes para cada criança.
No artigo "Uma revisão sistemática de tratamentos médicos para crianças com Perturbações do Espectro Autista", os pesquisadores encontraram surpreendentemente poucas evidências do benefício para a maioria dos medicamentos utilizados para tratar as PEA. Os medicamentos que tratam alterações do comportamento tiveram a mais forte evidência de apoio seu uso. Os medicamentos antipsicóticos risperidona e aripiprazol cada um tem pelo menos dois ensaios clínicos aleatórios que constatam melhorias nas alterações do comportamento, hiperatividade e comportamento repetitivo. No entanto, ambos os medicamentos também causam efeitos colaterais significativos, incluindo o ganho de peso e sedação, o que limita o seu uso para pacientes com insuficiência renal grave. Não existem suficientes evidências para avaliar os potenciais benefícios e efeitos adversos de todos os outros medicamentos usados para tratar o autismo, incluindo inibidores da recaptação da serotonina e medicamentos estimulantes.
Num outro artigo, "A Revisão Sistemática da Secretina para crianças com Perturbações do Espectro do Autismo", os pesquisadores examinaram a evidência para o tratamento de crianças com autismo com secretina, um polipeptídeo gastrointestinal usado para tratar úlceras pépticas. Os autores do estudo encontraram fortes evidências de que a secretina não é eficaz para crianças no espectro autista, e que mais estudos não são garantidas.
No estudo "Uma Revisão Sistemática da Intervenção Precoce Intensiva de Perturbações do Espectro do Autismo", foram examinados 34 estudos de intervenção intensiva precoce de comportamento e desenvolvimento para crianças com PEA. Os ganhos foram observados nos estudos de intervenções intensivas enfatizados tanto por abordagens comportamentais específicas (por exemplo, UCLA / abordagem Lovaas) e os princípios do desenvolvimento (por exemplo, o início antecipado Modelo de Denver). Estas intervenções resultaram num melhor desempenho cognitivo, competências linguísticas e comportamento adaptativas em algumas crianças com PEA. No entanto, poucos estudos foram classificados como de boa qualidade e as provas existentes não fornecem fortes evidências em favor de uma abordagem única de intervenção precoce. Os autores do estudo concluem que essas estratégias de intervenção precoce intensiva têm potencial significativo, mas precisam de mais pesquisas para determinar quais intervenções são mais susceptíveis de beneficiar determinadas crianças.
Fonte: Medical News Today
DECOFUTURO
Nos dias 26 e 27 de Março realizou-se no Centro Cívico de Palmeira a Decofuturo - Feira de moda, beleza e decoração.
Estivemos presentes com a nossa banca para divulgação da Associação e Angariação de fundos.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Festas de S. José (Póvoa de Lanhoso)
Estivemos no passado mês de Março numa angariação de fundos nas Festas de S. José, Póvoa de Lanhoso, num espaço gentilmente oferecido pelo Município local, que desde já agradecemos.
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domingo, 3 de abril de 2011
Notícia no Diário do Minho
Dia da Consciencialização celebrado pela primeira vez em Braga
A Associação para a Inclusão e Apoio ao Autista do distrito de Braga assinalou, ontem, pela primeira vez, o Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, com uma conferência no Museu D. Diogo de Sousa. A presidente desta associação disse que, a curto prazo, o objectivo é ampliar a actual sede, em Palmeira, e construir de raiz um espaço para intervenção precoce e para o Centro de Actividades Ocupacionais. Segundo Ana Paula Leite, a longo prazo, a meta é arranjar um terreno para construir um lar-residência para autistas adultos que deixarem de ter suporte familiar.
Ligação AQUI
A Associação para a Inclusão e Apoio ao Autista do distrito de Braga assinalou, ontem, pela primeira vez, o Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, com uma conferência no Museu D. Diogo de Sousa. A presidente desta associação disse que, a curto prazo, o objectivo é ampliar a actual sede, em Palmeira, e construir de raiz um espaço para intervenção precoce e para o Centro de Actividades Ocupacionais. Segundo Ana Paula Leite, a longo prazo, a meta é arranjar um terreno para construir um lar-residência para autistas adultos que deixarem de ter suporte familiar.
Ligação AQUI
Dia Mundia da Consciencialização do Autismo
A Mensagem da AIA para este Dia na comunicação apresentada pela Presidente da Direcção, Ana Paula Leite, na conferência "Detecção, Diagnóstico e Intervenção Precoce no Autismo"
A 18 de Dezembro de 2007, a Assembleia Geral das Nações Unidas decidiu designar o dia 2 de Abril como o Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, a ser comemorado a partir do ano de 2008.
Estamos aqui reunidos para essa comemoração e o formato escolhido pela Direção da AIA para tal, foi realizar uma conferência sobre o tema “Detecção, diagnóstico e intervenção precoce no autismo” como forma de sensibilização para a dificuldade que existe nesta fase inicial de descoberta desta perturbação.
Não existem em Portugal dados sobre a idade média em que é detectada uma perturbação do espectro do autista (do Autismo clássico ao Asperger), nem tampouco a idade média do diagnóstico. É certo que deve ter início antes dos 3 anos de idade de forma à criança usufruir de uma efectiva e produtiva intervenção precoce.
Num estudo publicado pela revista Neurologia em 2005 (1), e acerca de um inquérito realizado a 641 famílias com filhos com perturbações autísticas em Espanha, a suspeita de que algo está mal na criança começa na família e em média por volta dos 22 meses. A primeira consulta demora mais 4 meses e um diagnóstico específico é feito aos 52 meses.
No mesmo artigo (1) é feita referência a um estudo americano de 2001 que apurou que os primeiros a suspeitar de um problema foram os familiares (60%), seguidos dos pediatras (10%) e dos serviços educativos (5%). Números similares aos encontrados em 2005 em Espanha.
Da análise ao Inquérito realizado em Espanha, resulta também que as primeiras suspeitas são relacionadas com alterações da comunicação: Ausência de linguagem oral, não responde quando chamado pelo nome – ou parece ter problemas auditivos – e não estabelece contacto ocular (olhos nos olhos). A estes comportamentos seguem-se os da relação social: falta de atenção, interesse ou curiosodade sobre o que se faz ou diz, relações pouco adequadas com outras crianças da mesma idade e birras injustificadas.
Quando os pais / familiares se preocupam, normalmente têm razão, o que não invalida que a falta de preocupação assegure a ausência de problemas. Por tal, torna-se necessário fazer um controlo do desenvolvimento da criança em determinadas etapas da sua vida, aplicando escalas de desenvolvimento.
As barreiras encontradas no estudo espanhol para um tardio reconhecimento do Autismo são:
a) No âmbito familiar
Os pais tem dificuldades em detectar os sintomas das alterações comunicativo sociais, quer se trate do primeiro filho ou não.
b) No âmbito da Saúde
Os pediatras e os demais profissionais que prestam cuidados primários, em geral carecem de informação e formação necessária, pelo que não reconhecem as alterações de comportamento. Além disto, com frequência tendem a pensar – erróneamente – que se trata de problemas leves e transitórios no desenvolvimento, e a recomendar aos pais para se esperar quando detectam problemas de linguagem.
Se a detecção do autismo é difícil, o diagnóstico também o é visto que não existem actualmente testes médicos ou análises ao sangue que o diagnostique. Os médicos baseiam o diagnóstico nos sintomas de comportamento e desenvolvimento.
Actualmente não existe cura para o autismo. No entanto, a investigação mostra que uma intervenção eficaz o mais cedo possível pode contribuir para melhorar bastante o desenvolvimento da criança. A intervenção precoce deve ser feita o mais cedo possível.
É muito importante as famílias estejam atentas aos sinais de alerta e discutam com o seu médico a sua suspeita de perturbações do desenvolvimento.
É muito importante que os clínicos ouçam as famílias e estejam atentos às suas preocupações e que façam uso das consultas de especialidade, como de um meio auxiliar de diagnóstico se tratasse, sem receios ou complexos de o seu trabalho estar a ser escrutinado por terceiros.
É muito importante que os educadores e professores saibam quais os sinais de alerta e apoiem as famílias direccionando-as para consultas especializadas.
É muito importante que os poderes públicos invistam na detecção, diagnóstico e terapias de intervenção, de forma a sê-lo o mais precoce possível, pois está comprovado que uma intervenção terapêutica precoce gera significativas melhorias na autonomia e interacção social da criança que certamente vai baixar os custos nos apoios necessários nas fases seguintes, escola, centros de actividades e residências.
Em nome da AIA agradeço a todos as pessoas presentes e espero que esta acção traga benefícios futuros para todos.
Obrigado.
(1) Pode aceder ao documento em AIA e escolher " o ficheiro "GBPDPEA - Guia de Boas Práticas na Detecção das PEA"
A 18 de Dezembro de 2007, a Assembleia Geral das Nações Unidas decidiu designar o dia 2 de Abril como o Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, a ser comemorado a partir do ano de 2008.
Estamos aqui reunidos para essa comemoração e o formato escolhido pela Direção da AIA para tal, foi realizar uma conferência sobre o tema “Detecção, diagnóstico e intervenção precoce no autismo” como forma de sensibilização para a dificuldade que existe nesta fase inicial de descoberta desta perturbação.
Não existem em Portugal dados sobre a idade média em que é detectada uma perturbação do espectro do autista (do Autismo clássico ao Asperger), nem tampouco a idade média do diagnóstico. É certo que deve ter início antes dos 3 anos de idade de forma à criança usufruir de uma efectiva e produtiva intervenção precoce.
Num estudo publicado pela revista Neurologia em 2005 (1), e acerca de um inquérito realizado a 641 famílias com filhos com perturbações autísticas em Espanha, a suspeita de que algo está mal na criança começa na família e em média por volta dos 22 meses. A primeira consulta demora mais 4 meses e um diagnóstico específico é feito aos 52 meses.
No mesmo artigo (1) é feita referência a um estudo americano de 2001 que apurou que os primeiros a suspeitar de um problema foram os familiares (60%), seguidos dos pediatras (10%) e dos serviços educativos (5%). Números similares aos encontrados em 2005 em Espanha.
Da análise ao Inquérito realizado em Espanha, resulta também que as primeiras suspeitas são relacionadas com alterações da comunicação: Ausência de linguagem oral, não responde quando chamado pelo nome – ou parece ter problemas auditivos – e não estabelece contacto ocular (olhos nos olhos). A estes comportamentos seguem-se os da relação social: falta de atenção, interesse ou curiosodade sobre o que se faz ou diz, relações pouco adequadas com outras crianças da mesma idade e birras injustificadas.
Quando os pais / familiares se preocupam, normalmente têm razão, o que não invalida que a falta de preocupação assegure a ausência de problemas. Por tal, torna-se necessário fazer um controlo do desenvolvimento da criança em determinadas etapas da sua vida, aplicando escalas de desenvolvimento.
As barreiras encontradas no estudo espanhol para um tardio reconhecimento do Autismo são:
a) No âmbito familiar
Os pais tem dificuldades em detectar os sintomas das alterações comunicativo sociais, quer se trate do primeiro filho ou não.
b) No âmbito da Saúde
Os pediatras e os demais profissionais que prestam cuidados primários, em geral carecem de informação e formação necessária, pelo que não reconhecem as alterações de comportamento. Além disto, com frequência tendem a pensar – erróneamente – que se trata de problemas leves e transitórios no desenvolvimento, e a recomendar aos pais para se esperar quando detectam problemas de linguagem.
Se a detecção do autismo é difícil, o diagnóstico também o é visto que não existem actualmente testes médicos ou análises ao sangue que o diagnostique. Os médicos baseiam o diagnóstico nos sintomas de comportamento e desenvolvimento.
Actualmente não existe cura para o autismo. No entanto, a investigação mostra que uma intervenção eficaz o mais cedo possível pode contribuir para melhorar bastante o desenvolvimento da criança. A intervenção precoce deve ser feita o mais cedo possível.
É muito importante as famílias estejam atentas aos sinais de alerta e discutam com o seu médico a sua suspeita de perturbações do desenvolvimento.
É muito importante que os clínicos ouçam as famílias e estejam atentos às suas preocupações e que façam uso das consultas de especialidade, como de um meio auxiliar de diagnóstico se tratasse, sem receios ou complexos de o seu trabalho estar a ser escrutinado por terceiros.
É muito importante que os educadores e professores saibam quais os sinais de alerta e apoiem as famílias direccionando-as para consultas especializadas.
É muito importante que os poderes públicos invistam na detecção, diagnóstico e terapias de intervenção, de forma a sê-lo o mais precoce possível, pois está comprovado que uma intervenção terapêutica precoce gera significativas melhorias na autonomia e interacção social da criança que certamente vai baixar os custos nos apoios necessários nas fases seguintes, escola, centros de actividades e residências.
Em nome da AIA agradeço a todos as pessoas presentes e espero que esta acção traga benefícios futuros para todos.
Obrigado.
(1) Pode aceder ao documento em AIA e escolher " o ficheiro "GBPDPEA - Guia de Boas Práticas na Detecção das PEA"
sábado, 2 de abril de 2011
Dia Mundia da Consciêncialização do Autismo
No ãmbito do Dia Mundial da Consciêncialização do Autismo, a AIA apresentou hoje a conferência "Detecção, Diagnóstico e Intervenção Precoce no Autismo", à qual assistiram mais de 80 pessoas.
Na mesa de abertura estiveram a Dra. Palmira Maciel (Vereadora da Acção Social da Câmara Municipal de Braga), João Russel (Presidente da Junta de Freguesia de Palmeira), Dr. Luís Filipe (Director Adjunto do Centro Distrital de Braga do ISS, IP.) e Ana Paula Leite (Presidente da Direcção da AIA)
Entrando na conferência, Eduardo Ribeiro fez uma apresentação da AIA, a Dra Virgínia Rocha falou sobre a detecção e o diagnóstico nas perturbações do espectro autista, e a Dra Paula Carvalho abordou o tema da Intervenção Precoce.
Na mesa de abertura estiveram a Dra. Palmira Maciel (Vereadora da Acção Social da Câmara Municipal de Braga), João Russel (Presidente da Junta de Freguesia de Palmeira), Dr. Luís Filipe (Director Adjunto do Centro Distrital de Braga do ISS, IP.) e Ana Paula Leite (Presidente da Direcção da AIA)
Entrando na conferência, Eduardo Ribeiro fez uma apresentação da AIA, a Dra Virgínia Rocha falou sobre a detecção e o diagnóstico nas perturbações do espectro autista, e a Dra Paula Carvalho abordou o tema da Intervenção Precoce.
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