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quinta-feira, 4 de abril de 2013

Dia Mundial da Consciencialização do Autismo

A Câmara Municipal de Braga também se iluminou de Azul


O Miguel Patrício Gomes, autor do livro "Autismo na primeira pessoa" (disponível na AIA)  esteve connosco  a falar sobre "Síndrome de Asperger: da tela para a realidade". Uma intervenção que levou a uma melhor compreensão das perturbações do espectro autista que ajude a "alterar" o estereótipo criado em torno quer do autista quer do aspie.

 Éder, jogador do Sport Cub de Braga, é o padrinho da caminhada de dia 7/4. 
Aqui com as fãs do SCBraga da AIA

quarta-feira, 20 de março de 2013

Síndrome de Asperger: da tela para a realidade

No âmbito das comemorações do Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, A AIA proporciona um espaço de conversa e debate com Paula Carvalho e Miguel Gomes acerca desta Perturbação do Espectro Autista.
Tem por objectivo a partilha de informação acerca da Síndrome de Asperger e de se perceber se o Aspie na vida real corresponde ao estereótipo criado em torno de personagens de filmes e séries de televisão. 
A entrada é livre (aceita-se donativo) sujeita a inscrição para eventos@aia.org.pt ou telf/telmv 253627749 / 936859219 (Nome, actividade profissional, instituição, contacto)
Será sorteado pelos presentes dois livros autografados "Autismo na primeira pessoa".




quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A NAS (National Autistic Society) e o DSM-5


A Associação Psiquiátrica Americana (APA) está a rever o seu manual de diagnóstico, conhecido como Manual Diagnóstico e Estatística (DSM). Este é um dos dois principais conjuntos internacionais de critérios diagnósticos para os transtornos do espectro do autismo, incluindo síndrome de Asperger.
O DSM é muito influente, embora o principal conjunto de critérios utilizados no Reino Unido é a Classificação Internacional Organização Mundial de Saúde de Doenças (CID).
Este artigo resume os principais pontos das mudanças, o The National Autistic Society (NAS) pensa sobre as mudanças, eo que você pode fazer.

O que diz o DSM-5?
Os critérios diagnósticos são revistos periodicamente por uma equipe de especialistas, levando em conta os resultados mais recente da investigação. Para a próxima edição do DSM, a DSM-5, propõe algumas mudanças que poderiam afetar a forma como o diagnóstico vai ser realizado a pessoas do espectro do autismo.

Aqui estão algumas das principais mudanças:
Os termos atuais utilizados no DSM-4 são o transtorno autista, perturbação de Asperger, perturbação desintegrativa da infância e PDD-NOS (perturbação invasiva do desenvolvimento sem outra especificação). As propostas indicam que quando as pessoas vão ser de futuro diagnosticadas, em vez de receber um diagnóstico de uma dessas doenças, poderá ser dado um diagnóstico de "perturbação do espectro do autismo".

A tríade de deficiências será reduzido para duas áreas principais:
1. Comunicação e interação social.
2. Restritos, padrões repetitivos de comportamento, interesses ou atividades.
Comportamentos sensoriais serão incluídos nos critérios pela primeira vez, sob padrões restritos e repetitivos de descritores comportamentais.
A ênfase durante o diagnóstico vai mudar do dar um nome para a condição para a identificação todas as necessidades que alguém tem e como estas afetam a sua vida.
Eles também planeiam introduzir "elementos dimensionais” os quais devem dar uma indicação do quanto a condição afeta a pessoa. Isso deve ajudar a identificar o tipo de apoio às necessidades individuais.
O novo Manual, a DSM-5, será publicado em 2013.

O que a NAS acha das propostas?
A - Os novos critérios de diagnóstico
Acreditamos que as propostas dos critérios diagnósticos do DSM-5 são úteis, mais claras do que os do DSM-4, e em si não vai levar a uma redução no número de pessoas que recebem um diagnóstico de perturbações do espectro do autismo.
B - Níveis de gravidade
No entanto, acreditamos que os níveis de gravidade propostos não são adequados à finalidade e potencialmente muito inúteis como estão atualmente redigidos, pelos seguintes motivos:
1. Será necessário ter muito mais detalhes para que os níveis de severidade sejam amplamente adeuados e aplicáveisl.
2.Os níveis não são consistentes com os critérios diagnósticos. O Critério D de diagnóstico afirma que "O conjunto de sintomas limitam e perturbam o funcionamento diário" - noutras palavras, a perturbação é o resultado de todas as diferentes interacções dos sintomas de autismo. Portanto, não é apropriada para quebrar os níveis de gravidade em dois domínios separados.
3. As áreas chave, incluindo aspectos sensoriais, não são mencionados dentro dos níveis de gravidade.
4. Os critérios mínimos para o nível de gravidade 1 - "precisa de apoio", são consideravelmente mais elevados do que os critérios mínimos para um diagnóstico. Isto é particularmente preocupante qatendendo a que, no Reino Unido, muitas pessoas com autismo lutam para ter suas necessidades reconhecidas pelos serviços e obter o apoio de que necessitam, particularmente sendo as suas necessidades menos óbvias.
5. A ligação de um diagnóstico clínico com as recomendações de apoio pode criar expectativas para as pessoas do espectro do autismo que os serviços serão prestados quando isso não vai ser sempre o caso (pelo menos no Reino Unido), devido aos altos limites de elegibilidade ou porque as decisões sobre esse apoio pode ser tomadas por profissionais que não tenham relação com o processo de diagnóstico.
6. Criar uma ligação direta entre uma decisão clínica sobre diagnóstico e uma recomendação de apoio poderia afetar a imparcialidade clínica. No Reino Unido, temos conhecimento de situações em que os profissionais clínicos se sentiram sob pressão dos seus empregadores a sub-avaliar as necessidades, a fim de racionamento de recursos limitados.

Acreditamos que a complexidade da apresentação das perturbações do espectro do autismo requer que a gravidade da insuficiência só pode ser avaliada numa base individual. Não deve ser ligada a uma recomendação simplista de apoio.

A síndrome de Asperger e outros sub-grupos
As nossas especialistas, Dr. Lorna Wing e Judith Gould , apresentaram um documento à American Psychiatric Association, redigido conjuntamente com o Professor Christopher Gillberg. Este artigo foi publicado na revista “Research in Developmental Disabilities” (Investigação em deficiências de desenvolvimento). Nele, apela-se à necessidade de enfatizar a imaginação social, diagnóstico na infância e na idade adulta, e sobre o possível subdiagnóstico de meninas e mulheres com autismo. Eles recomendam que os nomes de sub-grupo particulares das perturbações do espectro do autismo sejam mantidos nos novos critérios de diagnóstico, incluindo uma descrição da síndrome de Asperger, para deixar bem claro que esta continua a ser uma parte do espectro do autismo.
No início de 2010 nós pedimos a opinião das pessoas sobre as propostas na nossa página web para que assim pudessemos responder à APA. Nós dissemos que era importante o não considerar quando as pessoas do espectro do autismo se apresentam como sendo capaz de lidar superficialmente, mas na realidade tem que exercer um esforço considerável para se orientar num mundo neurotípico. Também dissemos que as mudanças poderiam ter um impacto sobre o sentimento de identidade, e que seria muito importante ter em mente os pontos de vista de pessoas com uma perturbação do espectro do autismo, enquanto eram apreciadas as propostas.

Distúrbio de comunicação social
A APA propõe a criação de um novo diagnóstico de perturbação da comunicação social. Este seria dada quando alguém apresenta os aspectos sociais de comunicação e interação de um diagnóstico de perturbações do espectro do autismo, mas não mostra padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades.
Da nossa experiência de avaliar as pessoas com perturbações sociais e de comunicação, acreditamos que os problemas de comunicação raramente são a base das dificuldades de interação social, mas os problemas de comunicação estão bastante enraizados nas dificuldades de comunicação e interação social. Além disso, as nossas avaliações indicam que, de facto, essas pessoas normalmente têm comportamentos e interesses restritos e repetitivos, mas têm sido capazes de disfarçá-los, especialmente quando alguém é mais capaz intelectualmente.
Por isso, acreditamos que este grupo é um sub-grupo de pessoas no espectro do autismo. Quando o objetivo do DSM-5 é para evitar que o autismo sub-grupos, não acreditamos que é útil para criar um diagnóstico adicional de transtorno de comunicação social.

Estamos escrevendo para a APA para torná-los conscientes dos nossos pontos de vista sobre estas questões.

Fonte: NAS

domingo, 15 de janeiro de 2012

Jovens aspies vivem paixão

Um casal de jovens que sofre da Síndrome de Asperger, uma desordem neurológica na extremidade suave do espectro do autismo, se apaixonou e vive um relacionamento como o de outros jovens. A síndrome é caracterizada pelos problemas de socialização, mas que o casal lida bem, já que os dois são portadores de Síndrome de Asperger

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

TANGO PARA OS LOBOS


"TANGO PARA OS LOBOS - Cantos proibidos de uma Aspie"
Ana Parreira, autora, é psicóloga e descobriu apenas na idade adulta que era uma Aspie, isto é, que se encontrava na condição (síndrome) de Asperger.
Essa revelação, embora tardia, foi o que possibilitou reconstruir a forma de estar no mundo, mudou sua vida e melhorou suas próprias condições, habilidades, pois aprendeu mais claramente sobre suas dificuldades pessoais.
Ana pertence a uma geração negligenciada pelo mundo autista, pela própria característica do autismo no Brasil, ainda muito pouco conhecido e cujo aproveitamento tem sido privilegiado a crianças, em geral não incluindo as gerações mais velhas.
O livro conta uma história de amor de uma Aspie, vivida na idade adulta, é um livro com base em situação real, embora alguns nomes sejam trocados.

"TANGO PARA OS LOBOS - Cantos proibidos de uma Aspie" não fala tecnicamente sobre os Aspergers, mas mostra muito sobre eles, principalmente sobre mulheres Aspies adultas - e suas possibilidades, dúvidas, limites e obstáculos que transpôs sozinha. Ana explica como, em estado de amor, seu estado imunológico atingiu um pico de bem-estar tão elevado que efetuou algumas curas em seu corpo.
Esta é, acima de tudo, uma história de amor, de esforço e conquistas, de superação e de libertação.
Para adquiri-lo
Email: villa.aspie@gmail.com. Tel: 019 - 9185.0015 ou 19 - 2511.2443 (fixo), em Campinas SP.
Parte da renda segue para ajudar na publicação da Revista Autismo

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Asperger United


É uma revista da "The National Autistic Society"

- Trimestral, para maiores de 16 anos (embora os pais possam subscreverem nome dos seus filhos com menos de 16)
- Editada por uma pessoa com autismo de alto funcionamento
- Escrevem pessoas com síndrome de asperger, autismo de alto funcionamento, outras condições de alto funcionamento dentro do espectro, ou profissionais tendo em conta este grupo.

Distribuição gratuita

Página para download AQUI

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Como se sentem os "aspies"?


Em Portugal, estima-se que 30 mil pessoas apresentam síndrome de Asperger. Compreender os sentimentos dos "aspis" pode ajudar imenso quem convive diariamente com eles e quem, por dever profissional, deve contribuir para potenciar ao máximo o seu desenvolvimento.

O desconhecimento que ainda paira à volta da síndrome de Asperger leva-me a retomar o tema recentemente abordado (link com o artigo Asperger: será?), até porque não se trata de uma perturbação rara. Em Portugal estima-se que 30 mil pessoas apresentam síndrome de Asperger. Compreender os sentimentos dos "aspis" pode ajudar imenso quem convive diariamente com eles e quem, por dever profissional, deve contribuir para potenciar ao máximo o seu desenvolvimento. Quando se chega à conclusão de que uma criança é asperger tem de se fazer uma leitura muito específica do seu comportamento e direcionar a intervenção no sentido de a ajudar a desmontar um mundo que para ela é muito estranho e complexo.

O que pode ser confuso/enigmático/perturbador para os "aspis"?

"Quando chamo gordo a um colega ele parece não gostar e agride-me. Porque será que fica tão ofendido, se efetivamente ele é gordo?"
O desconhecimento das regras tácitas em termos de interação social, torna a vida destas crianças muito difícil. Para elas não é evidente que chamar "gordo", "chato" ou outra coisa menos simpática pode gerar grande antipatia nos outros. "Porque é que não posso chamar gordo ao colega, se ele tem evidentemente quilos a mais?" "Porque é que o professor fica ofendido quando eu lhe digo que as aulas dele são uma "seca" e que não percebo nada do que ele diz?" A irmã de uma pré-adolescente que tenho acompanhado dizia-me recentemente: "ela não sabe guardar segredos, apesar de já ser tão crescida, ainda não percebe que há coisas que não devemos partilhar".

"Quando os meus amigos contam anedotas, eu finjo que acho muita graça, mas sinceramente nunca percebo onde está realmente a piada."
Para os "aspis", metáforas e palavras com significado duplo são verdadeiros enigmas. Como é que crianças inteligentes não percebem o que está para além do literalmente afirmado? Porque esta é uma característica delas, que temos de compreender e aceitar como sendo intrínseca. Independentemente das nossas questões, o que temos a fazer é ajudá-las a ir percebendo e desmontando tudo o que possa ter um segundo sentido.

"Porque é que as pessoas dizem uma coisa e fazem outra? O facto de estar sempre tudo a mudar baralha-me e perturba-me profundamente."
Os "aspis" gostam de rotinas e aceitam a mudança com relutância. Por este motivo, têm dificuldade em se sentir bem em ambientes menos estruturados ou com rotinas e expectativas que são menos claras. Recentemente, uma mãe contava-me que o filho ficava perturbadíssimo sempre que esta seguia um caminho diferente na deslocação da escola para casa e vice-versa. Uma outra mãe referia que a alteração do conteúdo de uma refeição, previamente estabelecido, era, por si só, fonte de grande perturbação para a filha. É muito habitual os pais referirem que os filhos "aspis" impõem rotinas rígidas a si próprios e aos que os rodeiam.

"Porque é que quando começo a falar de animais os outros me mandam calar?"
Num atendimento recente a uma menina com esta síndrome, esta dizia-me que, no recreio, o local que mais adorava e onde habitualmente permanecia era junto a um lago. Sempre que tinha a companhia de alguém que adorasse peixes e outros seres aquáticos sentia-se feliz. O entusiasmo com que falava da vida aquática e o conhecimento sobre aspetos específicos inerentes a este tema deixou-me perplexa. Tal como a menina referida, os "aspis" têm, geralmente, áreas de interesse muito específicas e absorventes que podem ser: comboios, computadores, dinossauros, mapas, jogos, etc. Conheço uma criança asperger que tem uma quantidade infindável de miniaturas de animais, sendo este o seu tema predileto. Porque querem falar sempre do mesmo assunto, são percecionadas pelos outros como maçadoras.

Para terminar, uma mensagem aos pais que acabam de descobrir que têm em casa um "aspi". Em primeiro lugar, é indispensável aceitar que o vosso filho tem características muito particulares e, em segundo, é fundamental dar a conhecer a quem o rodeia que ele tem uma forma muito particular de se relacionar com o mundo e com os outros, explicando as razões. Se assim não fizerem, muito dos comportamentos do vosso filho serão injustamente julgados pelos outros como indicadores de má educação.

Por Adriana Campos, Psicóloga.
Fonte EDUCARE.PT

terça-feira, 12 de julho de 2011

Autistas, procuram-se


Quando um homem soube do autismo do filho, resolveu que seria uma vantagem no mercado de trabalho.

Concentração. Memória. Atenção aos pormenores. Capacidade de repetir muitas vezes a mesma tarefa, o mesmo gesto, sem se distrair. Obsessão com ordem e com classificações. Persistência. Estas qualidades são importantes nalgumas áreas profissionais - por exemplo, a informática. A um nível elevado, são raras. As pessoas com autismo tendem a tê-las mais do que as outras pessoas. É lógico aproveitar tal diferença. Assim faz uma empresa dinamarquesa especializada em testes de software.

A Specialisterne (Especialistas, em dinamarquês) foi fundada por Thorkil Sonne, um executivo de uma firma de telecomunicações. Quando há onze anos souberam que o seu filho de 3 anos tinha autismo, ele e a mulher começaram a pensar como o poderiam ajudar a ser feliz. Concluíram que nada teria mais valor para Lars do que um trabalho onde as suas características particulares fossem apreciadas.

Não bastava encontrar uma tarefa que ele pudesse fazer. Tinha de ser algo em que fosse especialmente qualificado, para o valorizar e o compensar das outras limitações - sociais, sobretudo - com que teria de viver.

A resposta veio após contactarem organizações de apoio a pessoas com Desordens do Espetro Autista (DEA). Estas desordens têm em comum a dificuldade em perceber sentimentos alheios, em ler gestos e sinais, em captar sarcasmo, mas variam imensamente em grau e manifestações, desde as quase impercetíveis atè às incapacitantes.

No lado leve do espetro está o síndrome de Asperger, cujas vítimas, geralmente descritas como altamente funcionais, incluem um bom número de génios. Consta que Einstein apresentava indícios de Asperger. E mesmo pessoas muito menos fluentes do que ele - e portanto, com desordens em zonas mais graves do espetro - podem ser extraordinárias nas respetivas áreas profissionais. A chave estava, portanto, em descobrir uma área adequada.


Mão-de-obra de primeira

A Specialisterne verifica software e outras coisas que exigem um enorme grau de atenção - por exemplo, a localização detalhada de redes de fibra óptica. Dos seus 50 e tal empregados, 75% têm autismo. Ao serem aprovados para entrar na empresa, iniciam uma formação de cinco meses financiada pelas câmaras municipais.

É o único apoio que a empresa recebe, uma vez que não existe tradição de empresas de responsabilidade social na Dinamarca, segundo explica Sonne. O investimento sai barato, tendo em conta o que se poupa em subsídios de desemprego e outros. Um funcionário chamado Mads diz que em mais de vinte anos é o primeiro emprego que consigo manter, e acrescenta: "A maioria dos meus colegas são como eu. Temos em comum sermos esquisitos".

Terminada a formação, a maior parte dos empregados são colocados fora, junto dos clientes da Specialisterne. A assistência técnica que dão é considerada 'premium', e paga a condizer. Não é mão-de-obra barata nem terapia ocupacional, frisa Sonne em repetidas declarações. É trabalho de primeira fornecido por uma empresa comercial. Porque só assim, em última análise, resulta. "A nossa organização precisa do tipo de financiamento que só uma empresa com fins lucrativos pode gerar. Tem de ser bem sucedida nos termos do mercado".

O objetivo último de Sonne é exportar o modelo de negócio pelo mundo fora. Com esse objetivo, criou uma fundação à qual entregou as ações da Specialisterne. Escócia, Islândia, Alemanha, Polónia e os Estados Unidos já adotaram ou vão adotar o modelo, e Sonne recebeu meia-dúzia de prémios europeus. A sua expectativa é que, quando o agora adolescente Lars for adulto, a situação tenha mudado o suficiente para ele não ter problemas de empregabilidade.


Reduzir o stress

Quanto aos atuais empregados da empresa, as histórias que contam falam por si mesmas. Um trabalhava antes num supermercado. Apesar de altamente inteligente, nunca conseguia passar nas entrevistas de emprego, onde o que conta é a famosa química emocional. Aí ele falhava.

Sonne sugere que toda a gente é social, embora de formas diferentes. O facto de alguém não dizer bom-dia não significa que não goste de conviver de vez em quando. E a dificuldade em suportar ruído, típica dessas desordens, pode implicar alguns ajustamentos no escritório (sobretudo se for um 'open space') mas não torna ninguém inapto para trabalhar.

"As pessoas com autismo não são os únicos empregados que não florescem em open space'ou no sistema tradicional de gestão", afirma. O essencial é adaptar às características das pessoas, não impor o mesmo ambiente a todas. "Isso só provoca stresse, e os locais de trabalho já produzem demasiado disso".

À sua estratégia dá um nome: filosofia dente-de-leão. O dente-de-leão é uma planta que a muitas pessoas vêm simplesmente como erva daninha. Outras apreciam-na como planta medicinal, rica em vitamina e ferro. "uma erva daninha é uma planta bela no lugar errado", diz Sonne. E quem decide se o lugar é errado ou certo é a sociedade.

Fonte AQUI

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Asperger. Será?

Na escola são crianças que apresentam geralmente um bom desempenho académico e, por isso, para os pais é incompreensível que os filhos compreendam perfeitamente raciocínios matemáticos complexos mas desconheçam as regras básicas para fazer amigos.

É sobretudo o sentimento de estranheza que leva os pais à consulta. São pais que consideram que os seus filhos têm algo de estranho, mas não conseguem definir exatamente o que os torna diferentes. Curiosamente, quando falamos com os filhos também eles partilham este sentimento de que algo os diferencia das outras pessoas.

Os pediatras, a quem por vezes estes pais pedem ajuda, habitualmente consideram que tudo está bem e não há razão para preocupação.

Na escola são crianças que apresentam geralmente um bom desempenho académico e, por isso, para os pais é incompreensível que os filhos compreendam perfeitamente raciocínios matemáticos complexos mas desconheçam as regras básicas para fazer amigos.

Frequentemente estas crianças confundem-se com as que apresentam défice de atenção, pois muito habitualmente parecem viver no mundo da lua. Há já alguns anos atrás, uma mãe relatou-me que, na tentativa de curar o filho de algo que ela própria não entendia muito bem, o levara a Espanha, quando este frequentava o primeiro ciclo de escolaridade, e que lá lhe fizeram uma terapia complexa, cujos fundamentos não consegui perceber. A terapia não surtira os resultados desejados e só quando o filho tinha 14 anos descobriram o que o tornava um pouco mais diferente dos outros, tinha a síndrome de Asperger (SA).

Tal como qualquer criança ou jovem, os detentores da síndrome apresentam talentos e dificuldades. No entanto, as suas capacidades e lacunas são em áreas muito específicas, pelo facto de o seu cérebro ser muito bom a processar determinado tipo de informação, como, por exemplo, factos e números, e apresentar dificuldade em compreender o que as pessoas pensam, sentem e comunicam.

O facto de cada criança ser diferente de todas as outras leva a que nem sempre se faça um diagnóstico imediato. Recordo-me que andei quase um ano letivo para perceber que uma jovem que estava em acompanhamento apresentava SA. Andava à procura de algo diferente, dado que a preocupação que motivou o seu encaminhamento se prendia com problemas que não eram indiciadores de que esta menina apresentasse a síndrome em questão.

Na minha prática profissional vou constatando que, à volta desta síndrome, há ainda um grande desconhecimento. Por isso, penso que fará algum sentido refletir sobre algumas características destas pessoas, que frequentemente são pensadores originais e que se poderão tornar especialistas nas suas áreas de interesse. Como diria Tony Attwood, um psicólogo australiano com uma grande experiência em SA, o mundo precisa de pessoas com estas características. Penso que o seu raciocínio está correto e que, se compreendermos a forma muito típica de estar dos portadores de SA, os acharemos pessoas deliciosas e encantadoras, sobretudo porque são muito genuínos e sem malícia.

Comecemos pelos talentos. As crianças com SA têm habitualmente muito boa memória e apresentam um largo conhecimento numa área de interesse, por exemplo, clubes de futebol, dinossauros ou vida marinha. A matemática e a informática são frequentemente áreas fortes. Existe um elevado número de pessoas famosas que apresentam muitos traços característicos de SA: Bill Gates e Einstein são dois exemplos muito citados. Na Internet existe uma lista absolutamente fabulosa de personalidades famosas que se suspeita terem SA.

Uma das dificuldades mais acentuadas nestes jovens é a interação social porque apresentam uma grande dificuldade em compreender a linguagem corporal e em saber o que a outra pessoa está a pensar ou a sentir. Recordo-me de, num atendimento com uma pré-adolescente com SA, cujo diagnóstico ainda não estava definido, esta começar a chorar quando lhe pedi para explicar os seus sentimentos. Mais tarde, percebi que as suas lágrimas traduziam a sua frustração por não conseguir dar resposta à tarefa que lhe propus.

Ainda agora comecei e já se esgotaram os caracteres permitidos neste espaço! Outras especificidades e sugestões serão apresentadas num próximo artigo.

Por Adriana Campos, Psicóloga. - Fonte AQUI

domingo, 19 de junho de 2011

Percepção Sensorial no Autismo e Síndrome de Asperger


Formato: Formação
Oradora : Olga Bogdashina
Data: 14 e 15 de Outubro de 2011
Local: Braga, a designar.
Horário: Ver programa do curso
Sinopse: A capacidade de perceber com precisão os estímulos do ambiente é fundamental para muitas áreas do funcionamento académico, social e comunicativo. Embora as pessoas com autismo vivam no mesmo mundo físico e lidem com a mesma “matéria prima” do mundo, a sua percepção é notavelmente diferente do de pessoas não-autistas. É amplamente reconhecido que as pessoas autistas têm experiências sensorias e perceptivas 'incomuns' que podem envolver hiper ou hipo sensibilidade e uma flutuação entre os diferentes "volumes" da percepção e da dificuldade em interpretar o sentido
Muitas vezes, ignorado por muitos profissionais, este é um dos principais problemas destacados pelos indivíduos autistas.
A formação é fundamental para pais, professores, educadores e todos os profissionais que trabalham com indivíduos autistas e aspergers, de forma a compreenderem plenamente as diferenças de percepção sensorial no autismo.

Preçário:
Valores em Euros Até 15/9 // 15/9 – 30/09
Mod 1 -Associados e estudantes de licenciatura 60 // 85
Mod 2 - Parceiros e Estudante Pós Grau 70 // 100
Mod 3 - Profissionais e Público em Geral 80 // 115
*Para ter acesso à tradução em simultâneo p/ Português acresce 5€ pela utilização do equipamento. Os slides poderão ser seguidos em papel, traduzidos quer em português quer em castelhano.
NIB : O pagamento deve ser efectuado por cada modalidade dentro dos prazos estabelecidos acima e para a conta 0036 0101 9910 0052 9490 8 (AIA)

Inscrição:
Em www.aia.org.pt e no menu Olga Bogdashina, ou
Enviar e-mail p/ eventos@aia.org.pt com nome, profissão, telefone, e-mail (caso não seja o da inscrição), modalidade em que se inscreve e se necessita de serviços de tradução.
Telemóvel: 936859219

Sobre Olga Bogdashina:

Ph. D. em Linguística, MA Ed. em Autismo, MSc em Psicologia e MA em Métodos de Ensino
A Porf. Olga Bogdashina é uma consultora em Autismo e oradora convidada em Estudos Autistas. Tem trabalhado extensivamente no campo do autismo, como professora, oradora e pesquisadora, com particular interesse em problemas sensoriais / percepcionais e de comunicação no autismo.
Desde 1994 Olga é Presidente da Sociedade de Autismo (“do desespero à esperança”) e a directora do primeiro Centro de Dia para crianças autistas em Gorlovka, Ucrânia.
Olga ensina e participa em conferências no Reino Unido e na Europa.
Consultora Associada do ICEP Europa (Institut of Child Education and Psychology)
Conferências, Apresentações e Publicações
Fez mais de 120 apresentações em conferências e congressos na Europa.
Escreveu artigos (publicados em jornais Ingleses, Holandeses, Polacos e Italianos), material para conferências e capítulos de livros (Autism – The search for Coherence “Autismo – a procura da coerência” (2001), ed. Richer, J. & Coates, S.) e Approaches to Autism “Abordagens ao Autismo” (2007)
Os livros de Olga publicados reflectem o seu interesse específico na pesquisa do autismo:
- Sensory Perceptual Issuesin Autism and Asperger Syndrome (Questões Perceptuais e Sensoriais no Autismo e Síndrome de Asperger): experiências sensoriais diferentes – mundos perceptuais diferentes (2003), publicações Jessica Kingsley;
- Communication Issues in Autism: Do we speak the same language? (Questões de comunicação no Autismo: falaremos a mesma linguagem?) (2004) Publicações Jessica Kingsley;
- Theory of Mind and the Triad of Perspectiveson Autism and Aspeger Syndrome (Teoria da Mente e a Tríade de Perspectivas no Autismo e na Síndrome de Asperger) (2005) Publicações Jessica Kingsley;
- Autism and the Edges of the Known World: Sensitivities, Language and Constructed Reality(Autismo e as arestas do Mundo Conhecido: Sensibilidades, língua e Realidade Construída) (2010).
Alguns dos livros foram traduzidos para Holandês, Espanhol, Norueguês, Húngaro, Italiano, Sueco, Hebraico e Francês.
Olga tem um filho (23) com Autismo e uma filha (20) com Síndrome de Asperger.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Asperger na 1ª pessoa


Isolamento, rotina, medo da confusão, incapacidade de interacção com grupo de pessoas são algumas das características que definem a vida de Alexandre Brito. Este jovem estudante de Engenharia Mecânica encontrou as respostas para o seu comportamento quando, em 2007, lhe foi diagnosticado o síndrome de Asperger. Apesar do choque inicial, Alexandre não desistiu dos seus sonhos e, sobretudo, nunca se sentiu doente, apenas diferente.

Ouça a entrevista AQUI

terça-feira, 19 de abril de 2011

sábado, 16 de abril de 2011

Diagnosticar diferentes tipos de Autismo

No Laboratório de Visão do Instituto de Psicologia (IP) da Universidade de São Paulo (USP), a pesquisa da psicóloga Elaine Zachi procura contribuir no campo do diagnóstico, ao verificar se é possível diferenciar o autismo de alto funcionamento da síndrome de Asperger. Para isso, é analisado o desempenho dos pacientes em testes neuropsicológicos computadorizados. Os testes avaliam itens como atenção, memória, raciocínio, planeamento, controle do comportamento e tomada de decisão, e podem ajudar a clarear o debate atual entre autores na literatura científica.

Alto funcionamento e Asperger?
A separação entre estes dois tipos de autismo ainda não é consensual na ciência. Enquanto uma parte dos pesquisadores acredita não haver diferenças, outra parcela distingue a síndrome de Asperger do autismo de alto funcionamento pelo facto de a primeira não incluir atraso no desenvolvimento da linguagem. Tanto no caso do autismo de alto funcionamento quanto no da síndrome de Asperger, os portadores têm a inteligência preservada, com quoeficientes intelectuais normais ou acima da média - enquanto que nos demais autismos, como o clássico, há atraso mental em gradações variadas.

Tratamento
A importância da diferenciação dos transtornos é que isto proporcionará mais precisão no encaminhamento dos pacientes, e também melhoria na elaboração de estratégias de tratamento para que eles se desenvolvam nas características em que apresentam dificuldades. “Se colocarmos todos [os pacientes] num só grupo, podemos deixar de dar uma assistência específica para o que cada um está precisando”, explica a pesquisadora.
Os tratamentos para estes casos incluem, por exemplo, atividades educacionais em grupo, que os ajudam a lidar melhor com interações quotidianas, e terapia com animais, para que os pacientes saibam identificar sentimentos e também expressá-los.
Desde que seus portadores sejam corretamente encaminhados, o autismo de alto funcionamento e o Asperger têm uma boa perspectiva de melhora. “O prognóstico é melhor porque estes pacientes têm uma capacidade intelectual e de comunicação maior do que noutros tipos de autismo”, justifica a psicóloga Elaine Zachi.
Para a pesquisadora, mesmo que a família em geral não receba a notícia de que tem um filho autista de uma maneira muito boa, é importante que ela saiba que os portadores conseguem ter uma vida normal. “Com algumas dificuldades, sim, mas, dependendo do caso, podem ter seu trabalho, casar e serem independentes”, completa.

Visão
O Laboratório de Visão, em que Elaine realiza seu pós-doutorado sob coordenação da professora Dora Ventura, é um dos locais que reúne pesquisadores dedicados à neuropsicologia no IP. Esta neurociência olha para o sistema nervoso do ponto de vista do comportamento.
Nas síndromes analisadas, o estudo da percepção visual é importante, pois é uma das áreas afetadas em seus portadores. As alterações incluem a percepção de detalhes muito acurada, enquanto a de aspectos globais é dificultada - e isto pode justificar os comportamentos deles em outros aspectos. “Se a pessoa tem uma percepção mais voltada para as partes em uma figura, vai ter uma percepção melhor para o detalhe também no seu dia-a-dia. Então vai deixar de ver contextos globais nas interações com as pessoas, ter dificuldades de compreender os discursos e de se expressar”, analisa Elaine.

Num estudo de outro autor, por exemplo, foi verificado que o portador de Asperger não teve dificuldades no teste de alternação da atenção, enquanto o autismo de alto funcionamento teve. “O que estou fazendo é pegar uma bateria mais completa, com vários testes, de atenção memória e funções executivas, e ver se, baseados nesta gama de testes, podemos traçar um perfil de cada um dos transtornos”, esclarece.

Ainda existem poucos estudos na área. As pesquisas mais numerosas do gênero foram feitas com os portadores dos tipos de autismo mais avançados. Se por um lado, o fato de ter a inteligência normal melhora o prognóstico dos pacientes com Asperger ou autismo de alto funcionamento, por outro, muitas vezes por isso a presença dos transtornos não é detectada, atrasando a inclusão em terapias. “O indivíduo chega à vida adulta sendo visto como uma pessoa estranha por quem está em volta, com uma fala mais prolixa, mais autocentrada, mas ele não tem o diagnóstico”, observa a pesquisadora.

A pesquisadora procura pacientes já diagnosticados com síndrome de Asperger ou autismo de alto funcionamento para participar da pesquisa.

Mais informações: email elaine-zachi@uol.com.br, com Elaine Cristina Zachi.

Fonte

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Entrevista com Tony Attwood


Entrevista com o Dr. Tony Attwood em Looking Up Autism


O Dr. Tony Attwood é um psicólogo clínico de Queensland, Austrália, sendo conhecido por todos como o maior especialista do mundo sobre a síndrome de Asperger. Adam Feinstein falou com ele em Melbourne.


ADAM FEINSTEIN: A síndrome de Asperger só foi reconhecida recentemente como um transtorno específico. O que pensa que tenham sido os grandes avanços na nossa compreensão da doença nos últimos 30 anos, desde que o artigo de Hans Asperger em 1944 foi traduzido para o Inglês?

Tony Attwood: Eu penso que os principais avanços vêm não da literatura de investigação, mas a partir de conversas e debates com aqueles que têm síndrome de Asperger, lendo as suas autobiografias e não os livros e textos científicos. O meu maior conhecimento dos Aspergers vem dos que o tem. Outro grande avanço é o reconhecimento dos desafios que eles enfrentam, e alguma forma de ajudá-los a ultrapassar. O que também pode estar a ocorrer é uma mudança de atitude em relação a essas atitudes e, espero, uma maior ênfase nos seus talentos ao invés dos seus déficits.

ADAM FEINSTEIN Costumava-se pensar que os indivíduos com síndrome de Asperger tinham um domínio normal da linguagem e que esta, na verdade, era uma das características que distinguem os Aspergers do autismo. Sabemos agora que a linguagem utilizada por pessoas com Asperger geralmente é afectada, não normal. Falei com Lorna Wing no Reino Unido sobre o uso da linguagem em crianças autistas, que, tal como meu filho, perderam o seu discurso, e concordo com Lorna de que a natureza dessa linguagem era anti-social. A minha pergunta é esta: é a línguagem utilizada por pessoas com Asperger decididamente anti-sociail? É a sua obsessão em falar de dinossauros ou lâmpadas ou Winston Churchill uma tentativa deliberada de evitar uma interação social significativa?

Tony Attwood: Tem aí muitas perguntas. Vou respondê-las uma a uma. O perfil de linguagem na síndrome de Asperger é diferente. Acredito ser irrelevante que tenham ou não tido atraso na linguagem quando eram crianças. O importante é como eles usam a linguagem num contexto social. A arte da conversação é algo em que eles não são naturalmente qualificados. Além disso, eles não são hábeis em traduzir os seus pensamentos para voz. E muitas vezes os seus pensamentos podem ser visualizações, ou conceitos que não são fáceis de transportar para a comunicação falada, mas que podem ser transmitidas através de comunicação escrita, em e-mails, desenhos, etc Mas num contexto social existem problemas nos aspectos pragmáticos da linguagem - especialmente na conversa social. Também pode haver dificuldades em relação a serem um tanto pedantes, com bastante prosódia, e com o não pereceberem pistas. Mas certamente quando eu, como clínico, socializar linguisticamente com alguém com a síndrome de Asperger, ele tende, do seu ponto de vista, a ser um pouco artificial, forjado, elaborado e desajeitado. No entanto, quando você começa a falar acerca dos interesses especiais dele, então a sua eloquência, fluência e entusiasmo pode ser cativantes. Assim, com a fala, depende do que é que se está a falar.

ADAM FEINSTEIN: No caso das crianças que perderam a linguagem, alguns recomeçaram a falar. Nunca vi esta pergunta respondida, aqui vai. Será que algum desses indivíduos recuperam um nível suficiente de linguagem para garantir um diagnóstico de síndrome de Asperger? Isso já alguma vez aconteceu?

Tony Attwood: Até ao momento, nós não analisamos exaustivamente o desenvolvimento longitudinal de quem tem autismo de início tardio: aqueles que, tanto quanto podemos dizer, têm um desenvolvimento relativamente normal e, seguidamente, perdem não só habilidades linguísticas como as habilidades sociais e de brincar. Algumas dessas crianças podem - talvez dois, três ou quatro mais tarde - recuperar algum do seu discurso e ir além do nível que tinha atingido antes de este começar a desaparecer. Nós realmente não sabemos se estes grupos têm um prognóstico distinto, mas eu sei que algumas pessoas que perdem a fala podem mais tarde recuperá-la e passar para a descrição da síndrome de Asperger em vez de autismo clássico de Leo Kanner.

ADAM FEINSTEIN: Na controversa questão do autismo de alto funcionamento versus síndrome de Asperger, que continua a provocar acalorado debate, talvez eu possa ter interpretado mal uma parte da sua palestra aqui em Melbourne ontem, quando você disse que havia uma cura simples para Asperger: basta deixar a criança no seu quarto sozinha! A minha experiência ao conhecer pessoas com Asperger é que, no seu conjunto, eles tendem a querer fazer amigos, e sentem uma certa vergonha, até mesmo dor, de que não podem. Você concorda?

Tony Attwood: O que eu quis dizer com o meu comentário sobre como resolver o autismo ou a síndrome de Asperger era que, caso você mantenha a pessoa sozinha, sem ninguém para socializar ou comunicar, você permite que a criança faça o que bem quiser. Noutras palavras, os sintomas de autismo ou de Asperger são proporcionais ao número de pessoas presentes a observar o que eles estão fazendo. No entanto, há aqueles com autismo clássico, que pode preferir ter uma vida de solidão, enquanto há outros que, quer pelo nível de capacidade ou de caráter, pode optar por tentar socializar com os outras pessoas. É então nesse momento que eles vivenciam essa confusão e fracasso. Isso preocupa –me porque os custos psicológicos para esses indivíduos podem ser enormes. Os pais podem estar preocupados com a criança isolada querer, metaforicamente, construir uma ponte entre eles e outros. Mas a descrição é que eles atravessaram a ponte e não havia ninguém para atender ou recebê-los do outro lado. É quando eles podem ficar bastante melancólicos, porque querem ter amigos, querem fazer parte de um grupo social. Eles estão conscientes das suas diferenças, e isto pode levar a reações de depressão, negação, arrogância, a raiva - reações emocionais intensas.

ADAM FEINSTEIN: Na minha experiência, aqueles com diagnóstico de autismo de alto funcionamento não parecem ter, no seu conjunto, a mesma forma de fazer amigos e assim não sentem as emoções intensas como a depressão ou melancolia que você mencionou - ou isto é demasiado simplista?

Tony Attwood: Uma das coisas que eu noto é que aqueles que foram diagnosticados com autismo clássico quando eram mais jovens - tinham grandes problemas com a socialização, comunicação e jogo - evoluíram para um nível em que eles e outros os vêem como um enorme sucesso. Eles são agora capazes de realizar coisas que antes nunca teriam pensado ser possível. Então, eles estão felizes com aquilo com que se podem comparar. Mas aqueles com síndrome de Asperger, que se comparam com o neurotípico terá mais depressão e desânimo. Então, muitas vezes, as pessoas com autismo clássico, que evoluíram com sucesso para o autismo de alto funcionamento são felizes, e as pessoas vão vê-los como um sucesso.

ADAM FEINSTEIN: Mas você é bem conhecido por afirmar que não há distinção realmente válido entre autismo de alto funcionamento e síndrome de Asperger, não é?

Tony Attwood: A minha opinião é que, se não tivermos cuidado, vamos ter uma visão "autista" de autismo. Nós estamos a caminhar para um excesso de foco nos detalhes minúsculos e perder a grande figura. Estamos sempre a ter um olhar de imediato para as diferenças, ao invés das semelhanças. Eu acho que, a um nível clínico comportamental, e com o que os pais dizem, são mais parecidos do que diferentes. Pode muito bem haver estudos acadêmicos que sugerem que pode haver diferenças entre os dois grupos em alguns aspectos. No entanto, penso que este é um interesse mais acadêmico do que prático, pois quando se trata de socialização, comunicação, integração da comunidade, etc, existem mais semelhanças do que diferenças.

ADAM FEINSTEIN: Então você concorda que as pessoas com autismo de alto funcionamento são menos orientada para fazer amigos do que aqueles com síndrome de Asperger?

Tony Attwood: Eu penso que, quando estamos olhando para a unidade de amizade em autismo de alto funcionamento e de Asperger, isso também depende da personalidade do indivíduo. Alguns com habilidades muito limitadas estão desesperados para se relacionar com os outros. Enquanto outras pessoas que tenham uma comunicação notável e habilidades sociais, escolhem o isolamento devido ao seu caráter. Portanto, temos de olhar para a personalidade, tanto quanto para a expressão de diagnóstico.

ADAM FEINSTEIN: Você concorda com a Dra Rita Jordan, quando ela disse aqui em Melbourne esta manhã que havia perigo de que, no nosso reconhecimento de grupos de alto funcionamento com autismo, que tendamos a ignorar o autismo entre aqueles com profundas dificuldades de aprendizagem?

Tony Attwood: O que acontece é que há sempre uma moda ou tendência no autismo. Durante vários anos, houve uma repentina da exploração da "nova biologia", à medida que nos afastávamos do modelo psicogênico. Depois ficamos encantados tão com o modelo de linguagem. De seguida, desenvolveu-se a a Teoria da Mente nas áreas sociais e cognitiva. A nossa mais nova área de exploração é a síndrome de Asperger. Mas não devemos perder de vista todo o espectro, ou o contínuum, e negligenciar relativamente aqueles que são mais desafiados pelo seu autismo - talvez com menos mecanismos de enfrentamento. O que eu espero é que nosso conhecimento das pessoas com síndrome de Asperger - porque podemos falar com eles sobre seus sentimentos e experiências mais eloqüente - pode ser de grande utilidade para aqueles que são menos capazes de se comunicar. Então eu acho que vale a pena explorar a extremidade superior do espectro autístico, a fim de ser capaz de desenvolver estratégias para aqueles que têm maiores problemas.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Tudo sobre a Síndrome de Asperger



Habitualmente digo à criança: “Parabéns. Tens síndrome de Asperger”. E explico que isto não significa ser maluco, mau ou deficiente, mas sim pensar de maneira diferente.
TONY ATTWOOD
Com estudos de caso e relatos pessoais da longa experiência clínica do maior especialista na Síndrome de Asperger, Tony Attwood, este é o livro que todos ansiavam para compreender uma das mais complexas doenças que existem.

Editado em parceria com a APSA – Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger, com um valioso capítulo dedicado a questões frequentemente colocadas e uma secção que indica outros recursos para quem procura mais informação sobre um determinado aspecto da síndrome, bem como bibliografia e estratégias pedagógicas, é uma leitura essencial para famílias e indivíduos afectados, e mais ainda para todos aqueles que querem compreender em profundidade uma doença de que se suspeita terem padecido nomes como Fernando Pessoa, Albert Einstein, Isaac Newton, Mozart, Darwin, Stanley Kubrick, ou Andy Warhol.

“Este é um livro extraordinário! Irá tornar-se o livro mais importante não só para quem trabalha com doentes com Síndrome de Asperger, bem como para as suas famílias e todos os que se interessem por conhecer mais esta doença.”
SPECIAL CHILDREN MAGAZINE

“Baseado em investigação de quase trinta anos de experiência directa, mas muito acessível, o Dr. Attwood eleva a compreensão da Síndrome de Asperger a novos níveis. Temperando com relatos pessoais e explicações claras, Tony Attwood, guia o leitor, apresentando soluções práticas para a miríade de desafios enfrentados pelas pessoas com síndrome de Asperger, possibilitando uma ampla interpretação dos seus pontos fortes de modo a terem uma vida satisfatória e produtiva. Ler este livro é obrigatório para todos, incluindo aqueles que têm a síndrome de Asperger.” STEPHEN SHORE, ABD