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quarta-feira, 14 de março de 2012

Livro "Autismo - Não espere, aja já!"


Incentivar o diagnóstico — ou ao menos a suspeita — de autismo. Essa é a intenção do livro Autismo — Não espere, aja logo! — Depoimento de um pai sobre os sinais de autismo, lançado neste mês (março) pela editora M.Books (132 páginas, R$ 39). O livro, de autoria do jornalista Paiva Junior, editor-chefe da Revista Autismo e pai de um garoto com autismo, busca explicar sem nenhuma linguagem técnica os sintomas do autismo e destacar a importância de um dos únicos consensos a respeito do transtorno em todo o planeta: quanto antes se inicia o tratamento, melhores são as chances de se ter mais qualidade de vida e desenvolvimento de habilidades. O livro tem prefácio do neuropediatra José Salomão Schwartzman e contra-capa com texto do neurocientista Alysson Muotri, da Universidade da Califórnia (EUA).
Mesmo que os pais não aceitem bem o diagnóstico ou ainda não tenham uma confirmação definitiva, fechada (até porque essa confirmação comumente vem depois dos 3, 5 ou até 6 anos de idade), o autor procura incentivar que iniciem o tratamento logo: “não esperem, ajam!”. “É preciso aproveitar essa grande ‘janela’ de desenvolvimento dos primeiros anos de vida”, explica o autor, com a autoridade de quem tem um filho de quase 5 anos, que está no espectro do autismo. Paiva é também pai de uma menina de quase 3 anos, porém, com desenvolvimento típico (“normal”).
O jornalista escreve como pai, por isso não há o uso excessivo de termos técnicos e jargões: “Não escrevo em ‘linguagem técnica de médico’, escrevo de forma que profissionais de educação e saúde, além de pais e parentes de autistas possam entender o autismo e, ao suspeitar de comportamentos autísticos em alguma criança possam sugerir que encaminhem-na para a avaliação de um especialista. “É um texto de leigo para leigo, de pai para pais”, explicou Paiva Junior, que faz questão de destacar que “o livro não habilita ninguém a diagnosticar autismo, papel que é dos médicos neurologistas, neuropediatras e psiquiatras da infância”.
Conteúdo extra
Outro diferencial do livro são os links para conteúdo extra, com QR Codes (códigos de barras de duas dimensões que podem ser fotografados por telefones celulares para acessar conteúdo online) levando a extensões de capítulos, relatos de famílias, vídeos e material que será permanentemente atualizado.
Nesta primeira edição do livro, toda a arrecadação do autor será revertida para a Revista Autismo, um projeto sem fins lucrativos. Portanto, comprar o livro não apenas ajuda no diagnóstico precoce, mas também contribui para que a revista permaneça existindo.
No site http://livroautismo.paivajunior.com.br/ há mais informações e um conteúdo extra relacionado a vários capítulos, inclusive link para comprar o livro.
Autismo — Não espere, aja logo!, 132 páginas, R$ 39,00, editora M.Books, 2012.Site: http://livroautismo.paivajunior.com.br/

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Autismo

Uma perspectiva geral sobre alguns sintomas que a crinaça autista PODE ter.

domingo, 6 de março de 2011

Serotonina tem papel nos casos de autismo


A serotonina é conhecida por fomentar um estado de bem estar e felicidade. É um neurotransmissor, um químico que haje como uma torre de rádio no cérebro, transportando sinais entre os neurónios. Trinta por cento dos casos de autismo podem ter a componente serotonina.

Num recente artigo da revista Journal of Neurochemistry, a investigadora, Dra. Georgianna Gould e os demais intervenientes, provaram que a medicação denominada buspirona (buspar) melhora o comportamento social de ratos. A Buspirona é um fármaco coadjuvante antidepressivo e ansiolítico para adultos.

Algumas variações genéticas provocam diminuição da transmissão da serotonina entre os neurónios. A buspirona aumenta a transmissão por parcialmente imitar os efeitos da serotonina nos receptores celulares.

"Nenhum modelo animal é completamente característico dos seres humanos, e estamos longe de afirmar que a buspirona é um tratamento para os comportamentos das pessoas com autismo", disse a Dra. Gould. "Mas isto é mais uma prova que a serotonina está envolvida numa proporção significativa nos casos de autismo".

A Dra Gould pretende agora investigar o impacto de uma dieta rica no aminoácido triptófano no comportamento social dos ratos. O triptófano é um percussor bioquímico da serotonina, o que significa que é convertido em serotonina no processo metabólico. Comida como o perú são ricas em triptófano.

Fonte: Science Daily

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O Silêncio dos Inocentes


Em Portugal, uma em cada mil crianças em idade escolar tem autismo. Novas terapias dão esperança aos pais

Por:Joana Nogueira no Correio da Manhã


De olhos arregalados, o Marco dá-nos as boas-vindas. As palavras que ainda não adquiriram vontade própria são substituídas pela expressividade dos sentimentos que aos poucos vão encontrando formas de se exprimirem. Sentado no balouço azul, estrategicamente colocado no centro de uma sala ampla, de paredes claras, Marco deixa-se levar pelo movimento de vaivém que pontualmente o aproxima do reflexo do espelho colocado à sua frente. A imagem de um menino curioso que hoje toma forma pouco tem a ver com aquela que levou os pais suspeitar que algo não estaria bem.
"Quando o Marco tinha 18 meses deixou de dizer as palavras que já tinha aprendido, passou a andar na ponta dos pés, não respondia quando o chamávamos, não olhava, isolava-se. Procurámos uma clínica de pediatria do desenvolvimento, na qual ele foi analisado e diagnosticado como autista", conta Cristina Menier, mãe do Marco, de 5 anos, residentes em Lapela, no concelho de Monção. A ‘sentença' imposta pelo diagnóstico trouxe um mar de dúvidas e inquietações, facto que foi amenizado pelo conhecimento de uma nova terapia que aposta no desenvolvimento das capacidades do pequeno Marco.
O método 3I, criado pela Associação de Autismo Esperança no Rumo da Escola (AEVE), em França, é, por definição, Intensivo, Interactivo e Individual, dado que pressupõe que a criança esteja cerca de oito horas diárias em interacção com um adulto, de modo a ser estimulada, quer física como cognitivamente, através de jogos e brincadeiras. Para que tal seja possível, a ajuda de voluntários é essencial.
"O Marco está a beneficiar deste método há um ano e meio. Hoje tem um olhar mais presente, reage, interage. No início não aceitava os voluntários, gritava e não deixava que ninguém lhe tocasse. Hoje é ele que estabelece o primeiro contacto com eles, agarra-os pela mão, dá-lhes um beijinho e pede para ir brincar", conta. Porém, dos 45 voluntários necessários, apenas 27 mantém o vínculo, facto que limita o sucesso da metodologia. "Não sabemos se é pela zona do País, se pela cultura, a afluência tem sido pouca. Os voluntários têm sido à base do boca-a-boca", lamenta.
Dos amigos que foram passando pela sala adaptada para as necessidades do Marco, poucos ainda permanecem. Celine Gonçalves é uma das excepções. "Toda a gente está reticente com o método. Mas é preciso experimentar. No início também eu critiquei mas depois vi resultados que não consegui alcançar em dois anos enquanto educadora", conta, emocionada com os progressos do "seu menino", aquele que, sem pedir, faz parte dos números que engrossam a incidência do autismo em Portugal.
A DOENÇA SEM ROSTO
"O autismo é uma perturbação do neurodesenvolvimento e do comportamento que reflecte uma disfunção cerebral. Como sintomas nucleares caracteriza--se por défices na relação social e de comunicação, bem como por comportamento repetitivo. Em Portugal, a incidência do autismo é de um caso em cada mil crianças em idade escolar", revela Guiomar Oliveira, autora do estudo ‘Epidemiologia das Perturbações do Espectro do Autismo em Portugal', distinguido com o Prémio Pfizer em 2005. A investigação incidiu sobre crianças dos 6 aos 9 anos, o que quer dizer que, destas, 3400 sofrem de autismo. Embora as causas ainda não sejam totalmente conhecidas, os últimos anos possibilitaram avanços significativos nesta área.
"Esta patologia é mais frequente nas crianças do sexo masculino, com uma proporção de 4/5 rapazes para uma rapariga. Tem-se discutido se esta discrepância se deve a factores genéticos ligados ao cromossoma X. Pensa-se que existem indivíduos com mais susceptibilidade para desenvolver o autismo, facto que é sustentado pela realização de estudos que têm vindo a identificar múltiplos e variados genes que levam à prevalência desta patologia", explica Susana Martins, pediatra da consulta de desenvolvimento do Centro de Desenvolvimento do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.
Além disso, "parece existir uma certa predisposição para o autismo, o que explica a incidência de casos de autismo nos filhos de um mesmo casal e a evidência demonstrada em estudo de gémeos. Por outro lado, alguns factores como a rubéola materna, hipertiroidismo, a prematuridade ou infecções graves neonatais podem ter influência no aparecimento desta patologia". Actualmente "estão a ser feitos estudos no sentido de analisar as anomalias nas estruturas e funções cerebrais, bem como ao nível da genética, para tentar perceber quais os genes que determinam a susceptibilidade de uma criança ter autismo".
O SEGREDO DO SUCESSO
Sentada no chão do seu quarto, entre vestidinhos cor-de-rosa e Barbies desalinhadas, Carolina idealiza um mundo onde não existem doenças, diagnósticos ou diferenças. Ali todos têm histórias, nomes e oportunidades, tal como ela teve, graças à força e persistência dos seus pais. "Aos dois anos e meio começamo-nos a aperceber de que ela se isolava muito. A partir daí foi uma crescente de crises, de frases desconexas. Começou a perder a capacidade de falar, chorava imenso. Percorremos quase todos os médicos e o diagnóstico oscilava entre síndrome de Rett e síndrome de Asperger. Até que decidi que ela precisava de ajuda", confessa Susana Silva.
Foi a vontade de querer fazer sempre mais que a levou a descobrir a terapia Son-Rise, desenvolvida pelo Centro de Tratamento do Autismo dos Estados Unidos da América desde 1983, e a fundar a associação Vencer o Autismo em Dezembro de 2010. "O Son-Rise consiste numa interacção de um para um com a criança. É um trabalho intenso que, dependendo do grau de desenvolvimento da criança, pode ser até de doze horas diárias e que tem como base três itens: energia, entusiasmo e motivação. Cada voluntário está, pelo menos, duas horas com a criança numa sala onde existe um trampolim, um escorrega, um baloiço e um espelho e prateleiras altas com outros objectos a que eles não chegam e que têm de pedir para poderem brincar ou interagir. A palavra ‘não' nunca é dita. Não existem punições, nem comportamentos repreensivos, para que a criança se sinta integrada", explica. Carolina, hoje com 11 anos, beneficia deste método há quatro meses, mas a evolução tem sido "exponencial".
"A Carolina está integrada no ensino regular, já tem uma amiga na escola, olha nos olhos, já consegue ter uma conversa normal e contextualizada ao telefone, conta factos da sua vida, está presente nos jantares, participa nas conversas. Ainda tem momentos em que fala muito sozinha mas passámos de quase nada para tudo isto que, numa criança autista, representa um enorme progresso".
João tem 4 anos e, tal como Carolina, também ele adora brincar sem amarras ou limitações. Nada o faz mais feliz do que interagir com a Natureza e brincar ao ar livre, onde pode soltar a imaginação ao sabor do vento. Os pedidos concretos que vai fazendo, como "quero brincar" ou "agarra-me", quando necessita de um pouco de colo, são indicadores de uma personalidade que se vai construindo com o tempo e com a superação das dificuldades resultantes do défice de desenvolvimento. "Ele quer entrar no nosso mundo mas sente uma incapacidade muito grande para o fazer", explica Helena Sabino, como que traduzindo o que o filho não consegue exteriorizar.
O primeiro indício do autismo remonta aos seus 17 meses, altura em que uma estranha fixação fez estremecer o sexto sentido de mãe. "Ele era muito risonho, sociável, mas nessa altura começou a ter crises de irritabilidade, chorava muito, rejeitava o contacto físico e visual. Notei que quando tinha a máquina de lavar roupa a trabalhar ele ficava a olhar para ela como se entrasse num mundo paralelo ao nosso". Foi o alerta do pediatra que pouco depois confirmou o pior dos receios. "O mundo desabou quando soubemos que o João tinha autismo. Não estávamos preparados porque afinal não foi algo com que ele tivesse nascido. Ele teve um crescimento normal até então. Sentou-se na altura certa, ainda chegou a dizer as primeiras palavras, como ‘mamã' e ‘papá', mas depois deixou de falar".
Com uma voz incerta conta: "Foi uma desilusão. Desconhecia por completo a doença. Achava que ser autista era sinónimo de estar a um canto de uma sala, sozinho, a baloiçar o corpo. O primeiro pensamento foi: ‘é preciso uma segunda opinião. E se foi um engano?'"
A consulta na Unidade de Autismo do Hospital Pediátrico de Coimbra ditou o mesmo resultado mas apresentou-lhe uma realidade bem diferente daquela que é retratada pelas produções de Hollywood. "Disseram-nos que não nos podia dar perspectivas de como iria ser mas que era necessário fazer uma intervenção precoce nas áreas mais afectadas como a comunicação e a interacção social. O João ingressou na creche do Centro de Educação e Desenvolvimento de D. Maria Pia, em Lisboa, aos dois anos, na qual existia uma equipa multidisciplinar capaz de responder às suas necessidades. Tem ainda o apoio extra de uma psicopedagoga da Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo (APPDA) de Lisboa duas vezes por semana", intervenções que lhe restituíram a capacidade de interagir com o mundo.
Ana Gouveia é uma das psicólogas responsáveis pela consulta médica semanal de diagnóstico e aconselhamento aberta à comunidade da APPDA - Lisboa, que custa 70 euros para os não-sócios. Como especialista, vive de perto os dramas familiares que acompanham a descoberta de uma doença estigmatizada. "Os pais normalmente desconhecem esta doença por completo. Apercebem-se de que algo não está bem porque um familiar os alertou e depois vêm até cá. A primeira preocupação tem a ver com o facto da criança não falar, o que é o mais frequente".
Passado o choque inicial, é tempo de saber o que pode ser feito. "No 1º ciclo os pais estão mais ou menos descansados porque com 4/5 anos os meninos conseguem estar bem. As escolas são mais pequenas e os coleguinhas entendem melhor a diferença. Com a pré-adolescência e a adolescência os meninos tornam-se menos tolerantes. Para além disso, a transição para o 2º e 3º ciclos é muito difícil, uma vez que têm de ter um plano curricular diferente, explica a psicóloga, que acrescenta: "Alguns pais quando pressentem a transição dos seus filhos para o 2º ciclo sondam-nos para ver se é possível passar os filhos para o ensino especial. Mas agora é obrigatório estarem no ensino regular até aos 18 anos. O ensino especial só acontece em casos muito específicos".
SEM APOIOS
Os sonhos de João Afonso não chegam a contemplar o ingresso do seu filho Rui no ensino regular. A vida ensinou-o a ser menos exigente para com quem se ama, a esperar pouco e a dar tudo o que esteja ao seu alcance para arrancar um sorriso dos lábios da criança que ainda hoje - aos cinco anos - não sabe o que significa falar.
"Quando nos confirmaram que se tratava de autismo nós já tínhamos feito o nosso luto. Não foi uma surpresa, nem um choque. Aprendemos a lutar. Não temos tempo para ficar chocados. Fomos aprendendo a esperar e a exigir pouco e a dar mais importância às coisas realmente importantes da vida. Aprendemos a procurar soluções em vez de dramas", diz.
"O Rui é uma criança muito sociável, muito amorosa, que dá a mão, que abraça, pede colo. Mas nunca falou. Ele não consegue apontar para um copo de água, não consegue dizer o que lhe dói. É como um bebé. Quando chora temos de experimentar tudo e muitas das vezes não fazemos ideia do que seja. Uma vez nas férias levei-o para o hospital e pedi, em desespero de causa, para o porem a dormir, pelo menos. Nós também desesperamos. Nunca soubemos o que foi. Acabou por passar".
Rui foi das primeiras crianças a beneficiar do modelo ABA (Análise Comportamental Aplicada) em Portugal e ainda hoje, três anos depois, é uma presença assídua no Centro ABCReal Portugal, onde tem vindo a desenvolver a sua autonomia. O modelo consiste numa terapia intensiva, na qual o terapeuta interage com a criança/jovem durante um período de pelo menos 25 horas semanais, o que representa mil euros na factura do final do mês, um encargo pesado para muitas famílias, já que não beneficiam de nenhum apoio.
Pedro (nome fictício) tem 4 anos e beneficia do modelo ABA há cerca de um ano. "Logo no primeiro mês notámos uma grande diferença. Ele começou a falar e a cantar. Hoje é mais autónomo, fala imenso, está praticamente como uma criança da idade dele, razão pela qual existe a possibilidade de ser um dos primeiros casos de reabilitação, embora não haja prazos definidos para que isso aconteça", revela a mãe, Sofia (nome fictício). No entanto, "o apoio do Estado é nulo. A terapia que o meu filho faz nem sequer é reconhecida em Portugal. Existe uma grande lacuna em termos de ajudas aos pais e principalmente a estas crianças", lamenta.
Afonso tem a mesma idade mas um percurso um pouco diferente. Fez ABA durante um ano mas acabou por sair devido "ao custo elevado, à má aplicação do método e à direcção do mesmo", segundo conta a sua mãe, Susana Oliveira. Actualmente tem uma terapeuta particular e aulas de natação que perfazem cento e cinquenta euros no final do mês. Na escola, onde já conquistou amiguinhos, tem ainda terapia da fala duas vezes por semana e uma psicóloga. Sempre presente está Susana Oliveira, que deixou de trabalhar para se dedicar inteiramente ao filho.
"O meu maior sonho era que o Afonso falasse correctamente, fosse autónomo e que a sua epilepsia se curasse", confessa, de olhar terno. Segundo Susana Martins, pediatra da consulta de desenvolvimento do Hospital de Santa Maria, o autismo "tem sintomas físicos. Entre 26 e 47 por cento dos autistas tem epilepsia e sintomas gastrointestinais, diarreia, vómitos. São muito agitados e isso pode acontecer devido ao desconforto, à dor que sentem mas que não conseguem expressar", adverte.
Afonso aprendeu a viver com as suas limitações e a superá-las todos os dias. Para trás deixou os rostos de estranhos constrangidos, as costas que tantas vezes se viraram quando tentava alcançar um mundo que ainda não era o seu.
Hoje sorri com a alegria que sempre lhe invadiu o peito mas que só agora ganhou forças para se fazer notar.
FALTAM ESTRUTURAS ADEQUADAS
Para a presidente da APPDA - Lisboa e da Federação Portuguesa de Autismo, Isabel Cottinelli Telmo, o problema maior diz respeito aos autistas que já passaram da idade escolar e que não têm respostas adequadas à sua situação. "Não existem instituições para estas pessoas. Faz falta uma rede maior, mais acordos, mais centros de actividades ocupacionais (CAO). A procura é muito grande e a oferta é pequena", refere.
Neste momento, acrescenta, "a lista de espera para o CAO da APPDA tem 50 pessoas. Mas não há possibilidade de entrada de mais utentes porque a Segurança Social não alarga os apoios. Não existem lares para cobrir as necessidades. As pessoas começam a ficar mais aflitas com a idade e com a falta de respostas para elas".
NOTAS
VIANA
A Associação Amigos do Autismo, em Viana do Castelo, dá apoio a cerca de 120 autistas de todas as idades.
PAIS
A APEE - Autismo, criada em 2009 por pais e encarregados de educação no Porto, tem 43 associados.
PALMELA
A Associação para a Inclusão e Apoio ao Autista, em Palmela, tem 185 associados e 20 utentes em terapias.
ATÉ AOS 40
O Centro ABCReal Portugal, criado em 2008, acolhe 27 autistas. O mais novo tem 3 anos e o mais velho 40.

Nota: Por lapso a Jornalista referiu a Aia em Braga como sendo de Palmela

sábado, 25 de dezembro de 2010

Conjunto de Proteínas com papel em mais de 100 doenças cerebrais



Numa investigação que acaba de ser publicada na revista Nature Neuroscience, cientistas estudaram amostras de cérebro humano para isolar um conjunto de proteínas que são responsáveis por mais de 130 doenças do cérebro. O trabalho também mostra uma ligação intrigante entre as doenças e a evolução do cérebro humano.

As doenças cerebrais são a principal causa de incapacidade médica no mundo desenvolvido, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, e os custos económicos nos EUA ultrapassam os US $ 300 bilhões.

O cérebro é o órgão mais complexo do corpo humano, com milhões de células nervosas ligadas por bilhões de sinapses. Dentro de cada sinapse existe um conjunto de proteínas, que, como os componentes de um motor, unem-se para construir uma máquina molecular chamada de densidade pós-sináptica - também conhecido como PSD. Embora os estudos de sinapses em animais indicaram que a PSD pode ser importante em doenças humanas e de comportamento, surpreendentemente, pouco se sabia sobre isso em seres humanos.

"Nós descobrimos que mais de 130 doenças do cérebro envolvem o PSD - muito mais do que o esperado ", diz o professor Grant o líder da pesquisa. "Essas doenças comuns incluem doenças debilitantes como o mal de Alzheimer, doença de Parkinson e outras doenças neurodegenerativas, assim como epilepsias e doenças da infância do desenvolvimento, incluindo as formas de autismo e dificuldades de aprendizagem. Os nossos resultados mostraram que o PSD humana está no centro do palco de uma grande variedade de doenças humanas que afectam muitos milhões de pessoas ", diz o professor Grant.

Artigo completo AQUI

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Investigação Autismo: Avanços na descoberta das causas do Autismo


Imagine-se como sendo pai de uma criança que não está agindo normalmente e ser informado pelo seu médico que seu filho tem autismo , que não há nenhuma causa conhecida, e não há nenhum tratamento conhecido, exceto, talvez, algumas terapias comportamentais.

É exactamente isso que disseram aos pais de Jackson sobre o seu filho que, aos 22 meses, teve uma regressão a uma prisão psíquica não verbal de isolamento social e comportamentos desconexos e repetitivos típicos do autismo.

Enquanto não temos todas as respostas, e mais investigações são necessárias para identificar e validar as causas e tratamento do autismo, há novos sinais de esperança.

Um estudo recém-publicado noThe Journal of American Medical Association por investigadores da Universidade da Califórnia em Davis e denominado " disfunção mitocondrial em Autismo "(i), descobriu revelou uma grave e profunda causa biológica subjacentes ao autismo – uma perda adquirida da capacidade de produzir energia nas células, os danos na mitocôndria (as fábricas de energia das células), e um aumento do stresse oxidativo (a mesma reação química que faz com que os carros tenham ferrugem, as maçãs fiquem castanhas, da gordura ficar rançosa e pele enrugar).

Estes distúrbios no metabolismo energético não eram devidos a mutações genéticas, o que é visto frequentemente por problemas da mitocôndria, mas a uma condição que as crianças estudadas adquiriram no útero ou após o nascimento.

À partida, se as células do cérebro não consegue produzir energia suficiente, e há muito stresse oxidativo, os neurônios não ardem, as ligações não são feitas e as luzes não acendem para essas crianças. Na verdade, esse problema de perda de energia encontra-se na maioria das doenças crónicas e no envelhecimento - dos diabetes à doença cardíaca à demência. Em particular, a função cerebral e o neurodesenvolvimento são altamente dependentes de energia.

Este é, exatamente o problema que eu encontrei edocumentei quando vi Jackson pela primeira vez. Ele tinha uma profunda perda de energia nas suas células (especialmente nas células do cérebro), e indicadores de stresse oxidativo graves. Este é o mesmo problema que muitos outros investigadores têm encontrado em estudos semelhantes (ii). Apesar das evidências, a maioria dos médicos não fazem testes para a disfunção mitocondrial, stresse oxidativo, ou outros imensos factores comumente encontrado em crianças autistas.

Vamos olhar mais de perto o que este novo estudo no The Journal of American Medical Association diz-nos sobre a disfunção mitocondrial, e como isso pode nos levar a novos métodos de tratamento - métodos semelhantes para os que eu usei para ajudar a reverter o autismo de Jackson.

Autismo: Transtorno do cérebro ou doença biológica base do corpo?

O grande debate (iii) que se faz nos círculos sobre o autismo é acerca de o autismo ser, ou não, uma perturbação cerebral fixa e irreversível de base genética, ou uma condição biológica sistémica e reversível baseada no corpo, que tem causas identificáveis, mensuráveis anomalias, e disfunções tratáveis. Noutras palavras, o autismo é uma sentença de vida ou uma condição reversível?

Muitos estudos têm iluminado as causas e possíveis tratamentos para o autismo, mas a maioria dos médicos e cientistas ignoram a maioria dos dados. Este novo estudo dá novos passos pois foi publicado numa das mais importantes revistas médicas do mundo.

Na investigação da UC Davis foram examinadas crianças entre os 2-5 anos de idade do estudo da risco de autismo infantil genético e ambiental (CHARGE) na Califórnia - uma investigação numa população-base, com controlo de casos confirmados de autismo pareados por idade, geneticamente independentes, controlos de desenvolvimento típico, que foi lançado em 2003 e ainda está em curso. O que eles descobriram foi a mencionada disfunção mitocondrial que leva a problemas com energia. Curiosamente, essas alterações não foram encontrados nos neurónios de uma biópsia ao cérebro, mas no exame às células dos glóbulos brancos chamados linfócitos. Isso significa que o déficit de energia é um problema sistémico - e não reside unicamente no cérebro.

Este estudo força a questão: Como é que as crianças ficam deficitárias de energia que afecta o seu sistema como um todo, não apenas o cérebro?

As causas da disfunção mitocondrial são conhecidas, especificamente no que se refere ao metabolismo e ao cérebro, e eu documentei-os em meus livros "UtraMetabolism" e "The UltraMind solution". Elas incluem toxinas ambientais (iv)- mercúrio , chumbo e poluentes orgânicos persistentes –(v) infecções latentes, glúten e alérgenos (que provocam inflamação) e alimentos processados, açúcar(vi), a depleção de nutrientes da dieta (vii), e deficiências nutricionais(viii). Estas são todas potenciais causas tratáveis e reversíveis da disfunção mitocondrial que foram claramente documentados.

Encontrei todos esses problemas em Jackson, e durante um período de dois anos nós lentamente desvendámos e tratamos as causas de sua perda de energia, o que incluíu a inflamação do intestino, mercúrio e deficiências de nutrientes. Ao longo do tempo, os testes para a sua função mitocondrial e stresse oxidativo (bem como os níveis de inflamação e estado nutricional) normalizaram. Quando eles ficaram normais, também Jackson ficou. Ele passou de um enorme regressão de autismo para um menino bonito, brilhante e normal de seis anos de idade.

O que significa se o autismo pode ser revertido.

Esta é apenas uma história, mas se o autismo pode ser revertido numa criança, se houver qualquer possibilidade de tratamentos eficazes ou uma cura em potencial, obriga-nos a fazer perguntas críticas: Como aconteceu isto? Pode acontecer a outras crianças?

Quais foram os padrões biológicos encontrados e como foram tratados?
Os custos emocionais e financeiros do autismo para as famílias e para a sociedade é enorme. Neste momento, um em cada cinco - ou 20 por cento - das crianças têm alguma perturbação neurológica. Enquanto sociedade, como podemos iludir a nossa obrigação moral e científica e acomodarmo-nos e aceitarmos os recursos limitados atribuídos pelo National Institutes of Health (US $ 5,1 bilhões para o cancro, mas apenas 141 milhões dólares para o autismo).

A maioria das perturbações do desenvolvimento neurológico tem raízes comuns. Mas, olhando apenas um aspecto dessas condições não vamos resolver o problema do autismo. As investigações recentes sobre o autismo são baseadas numa abordagem ultrapassada - que é algo como homens cegos examinando o elefante proverbial. Cada pesquisador trabalha no seu próprio silo analisando diversos factores e chegam a conclusões diferentes. Pesquisas que integram, sintetizam e analisam todos os dados sobre as causas e possíveis tratamentos são praticamente inexistente.

A disfunção mitocondrial identificados no estudo do JAMA eu tenho que ressaltar, é em última análise, apenas um sintoma a jusante de muitas causas a montante. Outros pesquisadores encontraram inflamação sistêmica, (ix)inflamação do cérebro, (x)inflamação do intestino, (xi) níveis elevados de toxinas e metais, e anticorpos ao glúten e caseína,(xii) deficiências de nutrientes, incluindo gorduras omega-3, de vitamina D, (xiv)zinco e magnésio, e colecções de disfunções metabólicas relacionadas a genes peculiares que tornam difícil a realização de reações químicas essenciais para a saúde do corpo como a metilação e sulfatação. (xv)

A mensagem que se anvia daqui é a de que a resposta para o autismo e outras perturbações do desenvolvimento neurológico não será encontrada num desses fcatores, mas em todos eles tomados em conjunto, em diferentes graus em cada indivíduo. Não existe tal coisa como "autismo". Pelo contrário, existem "autismos" - diferentes padrões de disfunções biológicas únicas para cada criança que resultam de múltiplas ofensivas ao cérebro e que todos se manifestam com sintomas a que chamamos de autismo.

Pesquisas futuras devem sintetizar os dados atuais e relevantes do conjunto de todas as investigações que estudam os sistemas que não se concentrem num único factor, mas que axaminam todos os factores em conjunto. Depois temos de aplicar estes resultados de forma abrangente, como está sendo feito por muitos profissionais que hoje trabalham em abordagens convencionais paralelas - em vez de de em colaboração com - e alcançam frequentemente notáveis.

Para finalizar, eu gostaria de compartilhar a história de Jackson, contada pelo seu pai. Tenho documentado este relatório de caso numa revista publicada que pode ler, cao esteja interessado nos detalhes do caso. (xvi)

É chamado de " Autismo: Está tudo na cabeça? " e pode ser encontrada em http://drhyman.com .

Mas, mais importante do que o meu papel, é a história de Jackson, e seu belo sorriso.
O que você pensa sobre uma abordagem abrangente para o tratamento do autismo? Você acha que o autismo é "tudo na cabeça " ou uma doença sistêmica que pode ser revertido? Você tem uma história de autismo para compartilhar?

Pela sua boa saúde
Mark Hyman (médico)

Referências
(i) Giulivi, C., Zhang, Y.F., Omanska-Klusek, A., et al. 2010. Mitochondrial dysfunction in autism. JAMA. 304(21):2389-96.
(ii) Haas, R.H. 2010. Autism and mitochondrial disease. Dev Disabil Res Rev. 16(2):144-53.
(iii) Herbert, M. 2005. Autism: A brain disorder or a disorder that affects the brain. Clinical Neuropsychiatry 2(6): 354-379
(iv) Landrigan, P.J. 2010. What causes autism? Exploring the environmental contribution. Curr Opin Pediatr. 22(2): 219-25. Review.
(v) Kern, J.K., Geier, D.A., Adams, J.B., et al. 2010. Toxicity biomarkers in autism spectrum disorder: A blinded study of urinary porphyrins. Pediatr Int. Jul 4 Epub ahead of print.
(vi) Feillet-Coudray, C., Sutra, T., Fouret, G., et al. 2009. Oxidative stress in rats fed a high-fat high-sucrose diet and preventive effect of polyphenols: Involvement of mitochondrial and NAD(P)H oxidase systems. Free Radic Biol Med. 46(5): 624-32.
(vii) Dufault, R., Schnoll, R., Lukiw, W.J., et al. 2009. Mercury exposure, nutritional deficiencies, and metabolic disruptions may affect learning in children. Behav Brain Funct. 27(5): 44.
(viii) Ames, B.N. 2004. A role for supplements in optimizing health: the metabolic tune-up. Arch Biochem Biophys. 423(1): 227-34. Review.
(ix) Careaga, M., Van de Water, J., and P. Ashwood. 2010. Immune dysfunction in autism: a pathway to treatment. Neurotherapeutics. 7(3): 283-92. Review.
(x) Li X., Chauhan, A., Sheikh, A.M., Patil, S., et al. 2009. Elevated immune response in the brain of autistic patients. J Neuroimmunol. 207(1-2): 111-6. Jan 20 Epub ahead of print.
(xi) Ashwood, P., Anthony, A., Torrente, F., and A.J. Wakefield. 2004. Spontaneous mucosal lymphocyte cytokine profiles in children with autism and gastrointestinal symptoms: mucosal immune activation and reduced counter regulatory interleukin-10. J Clin Immunol. 24(6): 664-73.
(xii) Jyonouchi, H., Sun, S., and N. Itokazu. 2002. Innate immunity associated with inflammatory responses and cytokine production against common dietary proteins in patients with autism spectrum disorder. Neuropsychobiology. 46(2): 76-84.
(xiii) Bell, J.G., MacKinlay, E.E., Dick, J.R., et al. 2004. Essential fatty acids and phospholipase A2 in autistic spectrum disorders. Prostaglandins Leukot Essent Fatty Acids. 71(4): 201-4.
(xiv) Cannell, J.J. 2008. Autism and vitamin D. Med Hypotheses. 70(4): 750-9.
(xv) James, S.J., Melnyk, S., Jernigan, S., et al. 2006. Metabolic endophenotype and related genotypes are associated with oxidative stress in children with autism. Am J Med Genet B Neuropsychiatr Genet. 141B(8): 947-56.
(xvi) Hyman, M.A. 2008. Autism: is it all in the head? Altern Ther Health Med. 14(6): 12-5.

Fonte: The Huffington Post

domingo, 14 de novembro de 2010

A caminho da cura para o autismo?

A equipe liderada pelo biólogo brasileiro Alysson Muotri, professor da Universidade da Califórnia, em San Diego, conseguiu três feitos inéditos e impactantes:

1) criou neurônios autistas em laboratório

2) revelou que eles são diferentes dos neurônios normais desde o início do desenvolvimento

3) conseguiu tratar os neurônios autistas e fazer com que eles se comportassem como neurônios normais

Nesse trabalho, Muotri decidiu trabalhar apenas com autistas portadores da síndrome de Rett - uma forma grave da doença. Os indivíduos que sofrem desse problema se desenvolvem normalmente até o primeiro ano de vida. A partir dessa fase, começa uma regressão acentuada. Além de apresentar comportamento autista, os pacientes perdem a coordenação motora e sofrem de rigidez muscular. Muitos morrem na juventude.

A síndrome de Rett foi escolhida pela equipe porque tem uma causa genética clara. Sabe-se que é provocada por mutações no gene conhecido como MeCP2. Além disso, os neurônios são afetados de forma mais dramática do que nos casos de autismo sem causa determinada.

Para investigar como a doença se origina, Muotri decidiu criar neurônios autistas em laboratório. Células da pele de pacientes foram extraídas por meio de uma biópsia simples. Elas receberam quatro genes que as induziram a se comportar como se fossem células-tronco embrionárias.As novas células tornaram-se capazes de dar origem a qualquer tipo de tecido.
Essas células são conhecidas no meio científico como células-tronco de pluripotência induzida (iPS). O método foi descrito pela primeira vez pelo japonês Shinya Yamanaka em 2006. Atualmente é empregado no estudo de várias doenças porque elimina a necessidade de descarte de embriões humanos e todos os dilemas morais decorrentes disso.

Em seguida, a equipe de Muotri adicionou vitamina A e outros fatores para induzir as células iPS a se transformar em neurônios. Deu certo. Como o genoma dessas células veio de pacientes autistas, pela primeira vez na história cientistas conseguiram criar neurônios autistas em laboratório e testemunhar o funcionamento deles desde o início do desenvolvimento. Observar o desenvolviemnto de um neurônio doente numa placa de Petri não é a mesma coisa que testemunhar isso dentro do cérebro de um paciente. Mas é um grande começo.

Leia a notícia completa AQUI

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Eye Tracking (Seguir o Olhar)



A tecnologia de Eye Tracking permite definir, em tempo real, o comportamento visual das pessoas quando sujeitas a determinados estímulos e a diferentes tipos de ambientes. Esta tecnologia funciona através da emissão de "um raio infravermelho dirigido aos olhos de quem está a fazer o teste, o que provoca um reflexo na pupila, que depois é captado com um sensor que calcula exactamente para onde a pessoa está a olhar, quer seja para um monitor, quer seja para um espaço exterior", explica André Zeferino da empresa Tobii.

Este subtítulo captou a sua atenção


Pode discordar, mas com esta tecnologia verificar-se-ia, por exemplo, se de facto saltou para o subtítulo, antes de ler o texto anterior. O Eye Tracking pode até ser utilizado para monitorizar o comportamento visual de pilotos de aviação e de condutores de automóveis, chegando ao pormenor de detectar antecipadamente o adormecimento ao volante.

Para além da segurança, esta tecnologia está cada vez mais a ser usada na área da saúde, para estudar o comportamento visual, especialmente em doenças neuropsiquiátricas. "Isto é muito importante, por exemplo, no autismo, porque torna possível acompanhar a interacção entre o doente e o terapeuta", comenta Miguel Castelo-Branco, investigador IBILI - Universidade de Coimbra.

Comunicar através da visão


No Instituto Biomédico de Investigação da Luz e Imagem(IBILI), da Universidade de Coimbra, o Eye Tracking é uma ajuda preciosa para perceber o comportamento do olhar em relação a diferentes estímulos, ao mesmo tempo que analisa a estrutura e a função do cérebro em doenças como o autismo, parkinson ou o Alzheimer. Mas as aplicações não ficam por aqui... Esta tecnologia poderá ajudar as pessoas com necessidades especiais a comunicar com o mundo, através da visão, permitindo "escrever um email, escrever um texto, comunicar com um sistema de localização de conteúdos num dispositivo próprio e assumirem uma parte activa na sociedade, ou seja, poderem comunicar com o mundo através desta tecnologia", garante ainda André Zeferino.

A medição dos movimentos da retina é já muito usada para validar anúncios, organizar melhor produtos de prateleira dos super-mercados e conceber páginas web. Mas com a evolução da tecnologia, o leque de aplicações do Eye Tracking torna-se tão vasto, que pode abranger qualquer área do conhecimento.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Sinapses, Autismo e Atraso Mental


Uma pista sobre as causas do autismo e atraso mental encontra-se nas sinapses, a mínuscula junção intercelular que rapidamente transfere informações de um neurónio para outro. Segundo os neurocientistas, da Tufts University School of Medicine, com alunos da Sackler School of Graduate Biomedical Sciences em Tufts, uma proteína chamada APC (polipose adenomatosa coli) desempenha um papel fundamental na maturação da sinapse, e a disfunção APC impede que a sinapse cumpra a função quer na aprendizagem típica quer na memória. Os resultados foram publicados na edição 18 de Agosto no The Journal of Neuroscience.


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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

LINGUAGEM, AUTISMO E SÍNDROME WILLIAMS


As pessoas com síndrome de Williams - conhecido pela sua simpatia e fácil interacção com estranhos – processam a linguagem falada de forma diferente das pessoas com perturbações do espectro do autismo (PEA) - caracterizado por retraimento social e isolamento - concluiram os investigadores do Salk Institute for Biological Studies.

Os resultados da investigação, que serão publicados na próxima edição da Social Cognitive and Affective Neuroscience, contribuirão para gerar hipóteses mais específicas sobre percepção e processamento da linguagem, tanto na síndrome de Williams como nas PEA, bem como os mecanismos fundamentais envolvidos no desenvolvimento da comunicação e das habilidades sociais.

"A língua falada é provavelmente a mais importante forma de interação social entre as pessoas e, talvez não surpreendentemente, descobrimos que a maneira como o cérebro processa a linguagem reflecte os fenótipos sociais contrastantes da síndrome de Williams e das perturbações do espectro do autismo", diz a autora Inna Fishman, Ph . D., neuropsicóloga no Laboratório de Neurociência Cognitiva na Salk, que concebeu o estudo, juntamente com Debra Mills, Ph.D., actualmente “leitor” na Universidade de Bangor no Reino Unido.

PEA e síndrome de Williams são ambas perturbações do desenvolvimento neurológico, mas as suas manifestações não poderiam ser mais diferentes: enquanto os indivíduos autistas vivem num mundo onde os objectos fazem muito mais sentido do que as pessoas, as pessoas com síndrome de Williams são borboletas sociais que chamam pela atenção de outras pessoas.

Apesar da miríade de problemas de saúde, geralmente de baixo QI e graves problemas espaço motores, as pessoas com síndrome de Williams são irresistivelmente atraídos para estranhos, olham atentamente para os rostos das pessoas, lembram-se de nomes e rostos com facilidade, e são imaginativos e hábeis contadores de histórias.

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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Autismo e Genes


Juntamente com os colegas de um grupo internacional de pesquisa, o investigador em autismo Christopher Gillberg da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, encontrou num novo estudo que o autismo pode ser parcialmente explicado por alterações em determinados genes. Os resultados do grupo podem, a longo prazo, preparar o caminho para tratamentos mais adequados para o autismo.

A prestigiosa revista Nature publica um artigo co-escrito por Christopher Gillberg da Unidade de Psiquiatria Infantil e Adolescência do Instituto de Neurociência e Fisiologia, e membro do grupo de pesquisa “Autism Genome Project” (AGP – Projecto Genoma Autismo).

No artigo, o grupo revela que uma pesquisa feita com 1.000 indivíduos com autismo e 1300 sem, mostraram que sem Cópia do Número deVariantes (CNVs) anormalidades sub-microscópicas nos cromossomas são fortemente sobre-representados nas pessoas autistas.

"Alguns desses são herdadas, enquanto outros apareceram pela primeira vez na pessoa com autismo", diz Gillberg. "Várias das alterações afectam os genes que préviamente mostramos estarem associados ao autismo e perturbações do desenvolvimento psicológico".

O artigo sublinha algo que Gillberg e seus colegas afirmarem, isto é, que o autismo é, em parte, a um conjunto de anormalidades genéticas completamente diferentes, cada uma das quais ocorre em apenas um pequeno número de pessoas com autismo, mas que em conjunto representam uma proporção cada vez maior de todos os casos, e que o autismo é um termo genérico (chapéu) para um grande número de diferentes condições neurobiológicas que tem a mesma imagem do sintoma.

O estudo também fornece evidências de que outros genes que são importantes para o desenvolvimento das sinapses de comunicação intra-celular (comunicação entre as células nervosas) em alguns casos desempenham um papel na origem do autismo. Espera-se que a ligação com o desenvolvimento da sinapse e de comunicação intra-celular irá pavimentar o caminho para um tratamento mais adequado a longo prazo.

"Só quando soubermos o que está realmente causando o autismo em cada caso, podemos personalizar o tratamento envolvendo medicação e dieta", diz Gillberg.

Artigo aqui

domingo, 15 de agosto de 2010

O Robot "Popchilla"


A Interbots, Inc., uma empresa de tecnologia de ponta, associada com a “Carnegie Mellon University Entertainment Technology Center” assinou uma parceria com o "Autism Center of Pittsburgh", para fabricar um robot inovador de fins terapêuticos dirigido a crianças com autismo.
O programa denominado "Terapia do Carácter" será realizado através da utilização do robot Interbot denominado "Popchilla", que irá testar a capacidade da criança com autismo, com pouca ou nenhuma oralidade.

Segundo Seema Patel, CEO e co-fundador da Interbots "Nós tivemos várias pessoas a dizer-nos que os nossos robots poderiam ser ferramentas poderosas para a terapia do autismo. Estamos animados para trabalhar com o Centro de Autismo de Pittsburgh e a Fundação Sprout nesta primeira etapa. Vamos aprender muito com os próximos meses ".

"O pressuposto por detrás do programa é que as crianças com autismo são, por vezes, mais propensas a comunicar com uma entidade não humana", disse Cindy Waeltermann, Fundador e Director do Centro de Autismo de Pittsburgh. "Quando você tem um filho com o autismo, você usa o que lhes interessa para o acesso ao seu mundo. A ideia é preencher com uma ponte a lacuna entre o seu mundo e nosso."

Popchilla será utilizado na primeira fase do programa, com uma terapeuta especializada. Programadores e desenvolvedores da Interbots criaram um aplicativo IPad que permitirão ao terapeuta sessões directas, o que acabará por ser transferida de forma a permitir que a criança controle o robot através de uma aplicação IPad de forma a identificar emoções.

De acordo com Waeltermann "Usando Popchilla como um intermediário, nós esperamos aumentar o entendimento dos sentimentos internos da criança, reduzindo frustrações comportamentais. Se eles forem capazes de identificar que estão “zangados "e o que" zangado "quer dizer, tal pode ajudá-losde forma significativa a entender o que estão sentindo, reduzindo ramificações comportamentais".

Fonte aqui

segunda-feira, 12 de julho de 2010

«Ligação ao Autismo: Documento (Blueprint) para o apoio ao longo da Vida»


É este o título de um documento que a “Autism New Jersey” pôs a circular em Nova Jersey (USA), onde existem cerca de 80 000 pessoas que convivem com o autismo. O documento é o resultado de mais de 500 entrevistas com o objectivo de determinar os melhores caminhos que sirvam e respondam às necessidades das pessoas com autismo, suas famílias e profissionais que os apoiam.
Quando os pais recebem a notícia do diagnóstico desesperam informação e respostas às suas questões. Por tal, o documento tem por objectivo ajudar as pessoas com autismo a levar uma vida cheia e produtiva desde acriança até adulto. Visa também identificar objectivos críticos e actividades que melhorem a qualidade de vida das pessoas com perturbações do espectro autista.
Quanto mais pessoas souberem, mais rapidamente poderá ser criada uma sociedade que nos compreenda e ajude.


sexta-feira, 9 de julho de 2010

Filme Biográfico de Temple Grandin nomeado para 15 Emmy's


O filme da HBO “Temple Grandin”, uma biografia desta famosa autista baseado no livro “Thinking in pictures – My life with Autism” foi nomeado para 15 categorias destas estatuetas.

Notícia completa aqui

Veja o trailer aqui

Página web de Temple Grandin

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Medicamento Misoprostol e Autismo


Um estudo da Universidade de York mostrou pela primeira vez como o medicamento misoprostol, que tem sido ligado a efeitos no neurodesenvolvimento associados ao autismo, interfere com as funções das células neuronais.
Estudos clínicos anteriores tinham mostrado a associação entre o misoprostol e severos defeitos neurodesenvolvamentais incluíndo sintomas de autismo, Os estudos focavam-se em ocorrências no Brasil em que as mulheres usavam o medicamento no início da gravidez em tentativas mal sucedidas de abortar.
“O nosso estudo mostra que o misoprostol interfere no processo [ de comunicação entre células] aumentando o nível de cálcio nas extensões neuronais, o que reduz o comprimento dessas extensões. Tal não permite que as células comuniquem entre si.” afirmou Dorota Crawford.

Notícia completa aqui

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Mãe monta uma escola para o seu filho autista


Imagine-se a viver com uma criança com autismo. Agora imagine lutar com unhas e dentes para lhe conseguir um lugar na escola.
Foi isto o que Suzanne Buckner teve de fazer após a exclusão escolar do seu filho de nove anos de uma escola Inglesa.
Mas ela não desistiu da sua educação; Em vez disso ela montou uma escola e contratou um professor especialista para o ajudar.
“O Freddy começou numa escola privada”, diz Suzanne. “Lá faziam-lhe coisas encantadoras como colocá-no no meio dos amigos de forma a que estes pudessem dizer-lhe porque não gostavam dele. Era uma luta para ele entrar no carro depois de andar por cima de uma máquina de lavar industrial, ou de vidro partido. Ele começou a detester a escola e tudo o que ela representava.
Acabamos por ir parar à escola primária local, que foi seleccionda por ter uma base ética Cristã. Mais uma vez, em poucas semanas, Freddie ficava numa mesa sozinho, começamos então a receber telefonemas e ele foi permanentemente excluído depois do meio dia.”
Deste modo Suzanne criou uma escola em Outubro de 2008. Freddie é ainda o único aluno da escola apesar de ser um local registado e inspeccionado. A escola está aberta a todas as crianças com autismo.

Leia a notícia completa aqui

terça-feira, 6 de julho de 2010

“Hormona do Aconchego /Abraço (oxitocina)” pode ajudar Autismo


O psiquiatra americano Thomas Insel revelou que a hormona oxitocina pode ajudar as pessoas com autismo nas suas relações sociais. Embora não seja uma cura para a condição de autista, pode no entanto dinamizar a “inteligência social” e tornar as interacções diárias mais fáceis.
A oxitocina melhora o comportamento social das pessoas com autismo de alto funcionamento e síndrome de Asperger, tal como um estudo francês recente demonstrou.
Depois de inalarem oxitocina, os voluntários mostram mais atenção às caras das outras pessoas num jogo de “passar a bola” e atendem os mais cooperantes no jogo; anteriormente passavam a bola indiscriminadamente .
A confirmar-se a ligação entre autismo e os genes receptores de oxitocina, pode ser demonstrada a explicação porque pessoas com autismo têm uma alta insteligência geral mas dificuldades nas interacções sociais básicas.

Notícia completa na myfoxboston

sábado, 3 de julho de 2010

DL 3/2008

«A maioria das escolas está a aplicar bem a lei da educação especial que entrou em vigor em 2008 e que definiu que os alunos com necessidades educativas especiais passam a ser sinalizados recorrendo à Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF). A conclusão resulta da primeira avaliação externa que foi feita a esta reforma, a pedido do Ministério da Educação, cujos dados preliminares foram apresentados ontem. Mas, como esta classificação não se baseia só nas doenças e tem em consideração outros factores, há vários alunos que ficam de fora mas que precisam de apoio. É com estes estudantes que os estabelecimentos de ensino estão a ter mais dificuldades.»


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